Cooperativas do Sicoob mantém crescimento em meio à crise econômica

Resultados mostram que o sistema e o cooperativismo financeiro seguem na contramão dos cenários econômicos regional e nacional

- Foto: Divulgação

Os indicadores mostram que a atividade econômica no país praticamente esteve estagnada no primeiro semestre de 2019 e, em alguns casos, houve recuo, como mostram os índices da indústria e do comércio. Na contramão, setores como o cooperativismo financeiro experimentaram evolução em seus números, reforçando uma tendência verificada nos últimos anos. É o que mostra o balanço do período apresentado pelo Sicoob Central Rondon, composto por singulares de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia.

A Central, que havia chegado, no início deste ano, a importante marca de R$ 1 bilhão em ativos totais, experimentou mais uma vez um crescimento significativo nos seis primeiros meses deste ano. Houve um incremento de 27% em ativos, o que equivale a R$ 271 milhões a mais no volume de ativos do sistema, formado por oito cooperativas. Já no acumulado de dezembro de 2015 a junho de 2019, são 267% de crescimento, resultado extremamente positivo comparado ao cenário nacional.

Emílio Júnior de Souza, diretor administrativo e financeiro do Sicoob Central Rondon, destaca que o crescimento não se restringiu aos ativos totais, apesar de serem números importantes para avaliar a solidez e a capacidade de investimento de uma Cooperativa.

“Tivemos evolução em todos os indicadores: associados, depósitos, capital, patrimônio, recursos, créditos. Tivemos um crescimento exponencial nos últimos anos”, comemora.

Em termos de carteira de crédito, por exemplo, houve um incremento de 39% no primeiro semestre de 2019 e o acumulado 2015/2019 chega a 330%. Em recursos totais, a variação no ano foi de 24% para um acumulado nos últimos três anos e meio de 280%, informa o executivo.

Os resultados, analisa Emílio, mostram que o sistema e o cooperativismo financeiro de uma maneira geral seguem na contramão dos cenários econômicos regional e nacional. “Fala-se muito de crise, de economia em baixa, mas normalmente é nesses momentos que as cooperativas crescem bastante”, ressalta. Isto porque as relações estabelecidas entre associado e a singular, e desta com a comunidade onde está inserida, segue uma lógica diferente daquela experimentada por clientes e seus bancos, acrescenta.

“Enquanto os bancos nos últimos anos se tornaram muito seletivos e fazendo um controle muito rigoroso na concessão de crédito, as cooperativas vieram na contramão, com um crescimento de 20% ao ano nos indicadores. Analisando especificamente nossas singulares, vemos que houve um grande acordo firmado, aliado a uma ousada estratégia de expansão proporcionando que saíssemos de R$ 300 milhões em ativos para R$ 1,2 bilhão. Em três anos e meio é bastante expressivo”, avalia o diretor financeiro.

O que contribuiu sobremaneira para isso, na opinião do executivo, foi justamente a busca por fortalecer o relacionamento com associado, atrair mais cooperados, divulgando o cooperativismo e aumentando a base das singulares. Houve um reposicionamento de mercado com a abertura de novas agências. “Enquanto os bancos estavam partindo para o fechamento de agências, estivemos fazendo o caminho contrário”, frisa. Outro fator determinante foi a mudança no regime de admissão, que passou a ser livre e não mais por segmentação. No período entre 2015 e 2019 houve um aumento de 131% no número de associados e no acumulado do primeiro semestre deste ano já são 20% a mais, informa.

A livre admissão, salienta Emílio, possibilitou atrair diferentes públicos para as cooperativas e também proporcionou uma diversificação de negócios, uma maior utilização dos produtos que são oferecidos pelas cooperativas. Influenciou inclusive o mercado local.

“Nas praças em que chegamos é fácil notar uma equalização. Nós estamos promovendo a redução dos custos financeiros nas cidades em que as agências estão sendo montadas, porque o mercado começa a olhar e dizer: está chegando mais uma instituição financeira e eu vou ter que me adequar, tenho que melhorar o meu atendimento, tenho que melhorar as minhas taxas, minhas condições de financiamento”.

As cooperativas de crédito hoje possuem praticamente os mesmos serviços e produtos dos bancos, mas há um diferencial que as torna cada vez mais atrativas, explica o diretor. “É o relacionamento”, diz ele. “Neste tipo de negócio você não é apenas mais um cliente, um número. O associado é dono e como tal tem uma série de vantagens que vão de taxas e juros mais baixos a participação nos resultados. Nossas agências têm sido reformuladas para que os cooperados se sintam tão bem quanto se sentiriam no conforto de suas casas ou escritórios”, finaliza.