MS não perde contratos apesar da crise política na Bolívia, afirma Reinaldo

'Não vejo [possibilidade] ruptura contratual, até porque a Bolívia é dependente do Brasil', afirmou.

Governador Reinaldo Azambuja durante solenidade de retomada das operações da termelétrica UTWA - (Foto: Marcos Maluf)

A crise política na Bolívia não deve afetar a relação comercial entre o país vizinho e o Brasil, por isso, o Governo de Mato Grosso do Sul não vê motivo para se preocupar. A análise é do governador Reinaldo Azambuja (PSDB), que comentou o assunto em agenda pública nesta manhã (13), três dias depois de Evo Morales renunciar à presidência.

“Não vejo [possibilidade] ruptura contratual, até porque a Bolívia é dependente do Brasil”, afirmou.

O secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura, Jaime Verruck, é da mesma opinião. “A Bolívia não tem outro parceiro estratégico para alocar essa produção”, referiu-se à compra do gás natural e outros insumos bolivianos pelas empresas sul-mato-grossenses e do restante do País.

O chefe da Semagro destaca que só de ureia, borato e cloreto de potássio, Mato Grosso do Sul tem previsão de consumir 1 milhão de toneladas até o fim do ano que vem.

“Independentemente da estrutura de governo que venha assumir não tem como não identificar o Brasil como forte parceiro comercial tanto que um governo de extrema esquerda, como o de Evo, tinha excelente relação conosco, porque não tinha outra forma”, completou o secretário.

Reinaldo se diz mais otimista com a possibilidade de um novo comando. “Com a renúncia do presidente Evo e a posse da interina, a gente vai voltar a ter estabilidade, volta o espírito da democracia com as novas eleições”.

O governador disse ainda que a situação na fronteira do Estado com a Bolívia está mais tranquila. “Hoje as fronteiras já abriram, agora é aguardar o processo legítimo da democracia para quem for eleito continue a parceria conosco”.

Verruck lembrou que os protestos que fecharam a passagem de carros entre Corumbá e Puerto Quijarro impactaram o comércio na cidade sul-mato-grossense. “O movimento caiu pela metade”.

De acordo com o secretário, até ontem à noite, havia ao menos 500 caminhões parados na fronteira. Do lado de lá, os carregados com ureia e do lado de cá, os que iam em direção às cidades bolivianas para trazer o insumo.

A Bolívia enfrentou uma onda de protestos desde a eleição cujo resultado foi a vitória de Evo Morales, muito contestada pela oposição. O presidente renunciou ao cargo no dia 10 e pediu asilo político no México.