PMs acusados de envolvimento com PCC, tem preventiva decretada e viram réus

Policiais foram alvos da Operação Piromania deflagrada no último dia 5, que resultou na prisão destes policiais e de outras 25 pessoas.

Operação Piromania deflagrada no último dia 5 de maio. - Foto: Divulgação/Gaeco

O juiz Alexandre Antunes da Silva, da Vara da Auditoria Militar, decretou a prisão preventiva, acatou a denúncia do Ministério Público, transformando em réus, 5 policiais militares lotados até setembro do ano passado na 8ª Companhia Independente. Eles foram alvos da Operação Piromania deflagrada no último dia 5 de maio, que resultou na prisão destes policiais e de outras 25 pessoas, por envolvimento com o P.C.C, organização criminosa que controla os presídios e o tráfico de drogas.

O sargento W.V.P, o cabo R.L.F e os soldados D.S.N, M.G.B e R.P.S, são acusados de corrupção passiva e falsidade ideológica. Em 12 março de 2019, a guarnição não prendeu Jackson Yuri Ferreira e Wesley Leite de Amorim, que estavam trazendo do Paraguai 569,150 kg de maconha. A droga, transportada no Fiat Strada de placa PJQ-5623, foi apreendida pela guarnição na MS-162, perto da região do Piqui, com a chave na ignição, porque conforme a versão policial, o motorista teria fugido ao perceber a aproximação da guarnição.

Jackson e Wesley, segundo a investigação do GAECO (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado), integram o PCC (Primeiro Comando da Capital), com prisões e até condenações por tráfico de drogas, formação de quadrilha, homicídio e participação em organização criminosa.

Naquele 12 de março do ano passado, a guarnição se deslocou até a região do Piqui, quase na divisa com Maracaju, a partir da denuncia de que os ocupantes de um Gol branco de placa OOO-7881, trafegava pela MS-162 como batedores de uma carga de quase 570 kg de maconha que estava sendo transportada numa Fiat Strada. A guarnição encontrou a pick up carregada de droga, mas o motorista teria abandonado a carga.

Já os ocupantes do Gol foram liberados, ainda de acordo com o relato da guarnição, porque não havia evidencias de que seriam os batedores do motorista da Fiat Strada.

Pelo boletim de ocorrência, os dois suspeitos foram liberados para seguir a viagem, mas conforme apurou o Gaeco, isto não foi verdade. Jackson e Wesley foram trazidos até o quartel da corporação na cidade, onde, teria sido feito o acerto da propina para que ambos não fossem presos. Esta versão distorcida dos fatos foi apresentada no Boletim de ocorrência, o que levou o Ministério Público a denunciar os policiais por falsidade ideológica.

O que chamou atenção dos promotores é que os policiais, ao liberarem os dois suspeitos, não seguiram o procedimento padrão. Os dois viajavam num carro com registro de busca e apreensão (feito pela locadora proprietária do Gol) e não levavam o documento do veículo, de porte obrigatório, o que por si só ensejaria a apreensão.

Outro detalhe que reforçou a suspeita de um acerto, é que os policiais não levaram em conta a vida pregressa de ambos, com várias passagens por envolvimento com o tráfico de drogas. Alegaram que não viram razões para os prender como batedores, porque não localizaram no Gol qualquer aparelho de comunicação que os conectasse com a droga.

Escuta telefônica

A primeira evidência levantada pelo Gaeco para demonstrar que os 5 policiais receberam propina para liberar os dois suspeitos, foi obtida a partir de escutas telefônicas (autorizadas pela Justiça). Quando foi abordado em companhia de Wesley, em 12 de março de 2019 pelos policiais desta guarnição, Jackson já estava sendo monitorado pelo Gaeco, como parte de uma investigação sobre sua participação no PCC, envolvido na receptação de veículos furtados que trocava por droga no Paraguai.

Numa das escutas, os investigadores interceptaram no dia 22 de março de 2019 (10 dias após a apreensão da droga) o diálogo que Jackson travou com um comparsa no qual lamenta a perda da Fiat Strada apreendida carregada de droga na MS-162. Esta conversa teria derrubado a versão dos policiais de que os quase 570 quilos de maconha tinham sido abandonados pelo motorista e que Jackson e Wesley, não estavam traficando drogas quando foram abordados.

Em outra escuta, dia 17 de abril de 2019, pouco mais de 30 dias após abordagem e liberação dos suspeitos em Sidrolândia, um integrante da organização criminosa, critica Jackson, por ainda não ter pago a propina prometida aos policiais e por isto estaria sendo vítima de retaliações, com apreensões de suas cargas de droga em Sidrolândia. Um dos policiais, o soldado M.G.B, que mora Campo Grande, o teria procurado para cobrar o recebimento de R$ 5 mil.

Estas investigações culminaram no último dia 5 de maio com a prisão de 30 pessoas, incluindo os cinco policiais militares. Só um deles, o soldado D.S.N, morava em Sidrolândia, os demais residem na capital. O sargento W.V.P, o cabo R,L.F, no mês passado foram condenados a 9 anos e o soldado M.G.B, a 9 anos e 17 dias de prisão, sendo sete anos, dois meses e 12 dias por peculato e 1 um ano, 10 meses e 5 dias por falsidade ideológica.

Eles foram alvos em setembro do ano passado da Operação Ave Maria, deflagrado pelo Gaeco e a Corregedoria da PM. São acusados de terem se apropriado de mercadorias apreendidas em barreiras policiais. Foram absolvidos junto com outros envolvidos nesta nova operação, da acusação de que teriam exigido propina para liberar uma carga de cigarro contrabandeada em outubro de 2018.

Operação

Além de prisão a Operação Piromania resultou na apreensão de 578,41 quilos de maconha, 5,27 quilos de cocaína e 5 quilos de pasta-base de cocaína, além de 13 prisões em flagrante.

Marcada pela ostentação do grupo, que se dava ao luxo de queimar dinheiro, a ação também apreendeu R$ 100 mil em dinheiro vivo e 92 pacotes de cigarros. contrabandeados.