Covid-19 esvazia postos, hospital e cria fila de espera de 100 cirurgias

A medida determinou a suspensão das cirurgias eletivas, enquanto perdurar a pandemia, com exceção das cirurgias oncológicas e cardíacas.

UPA, que diariamente atendia até 350 pacientes, hoje não passam por lá mais do que 150 pessoas - Foto: Marco Tomé/Região News

Desde março o sistema de saúde está mobilizado praticamente só para atender os casos de Covid-19. Embora até aqui, Sidrolândia só tenha registrado 4 casos, que não exigiram internação, o tratamento de outras enfermidades praticamente parou. Cenário ocorre embora postos estejam vazios, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que diariamente atendia até 350 pacientes, hoje não passam por lá mais do que 150 pessoas. Na semana passada, só havia 6 pacientes internados.

Na semana passada só havia 6 pacientes internados no hospital que chegou a retomar as cirurgias. Fez 12 procedimentos, mas esbarrou na resolução 13, assinada pelo secretário Estadual de Saúde, Geraldo Resende. A medida determinou a suspensão das cirurgias eletivas, enquanto perdurar a pandemia, com exceção das cirurgias oncológicas e cardíacas.

Ao mesmo tempo, a Secretaria determinou que os 15 leitos (incluindo 5 de UTI) credenciados para pacientes de Covid-19 só serão usados quando o Hospital Regional, que é o de referência, tiver lotado. Por conta desta orientação, uma técnica enfermagem, com sintomas da doença, foi levada para Campo Grande, após passar um dia internada em Sidrolândia. Ela testou negativo, se recuperou e já teve alta.

Em menos de 90 dias, já se formou uma fila de 100 pacientes à espera de cirurgias eletivas que podem ser feitas em Sidrolândia. Entre os que vivem está angústia de espera pela cirurgia, está dona Aparecida Pires, 61 anos, que desde fevereiro espera pelo agendamento da cirurgia de vesícula. Recorre a analgésicos para aliviar a dor. Por recomendação do médico não tem comido frituras, nem carne gorda, por exemplo. Já o trabalhador rural Mauro de Jesus, aguarda há três meses por uma cirurgia de hérnia. "Estou me cuidando, não sinto nenhuma dor", assegura.

Esta conta (a de 100 cirurgias represadas) não inclui procedimentos ortopédicos e obstétricos que só podem ser realizados em hospitais de Campo Grande. Dona Maxona de Melo, residente no Distrito de Quebra Coco, em fevereiro, após passar pelo médico, pagou por uma ressonância magnética em Campo Grande, que indicou a necessidade de fazer uma cirurgia para retirada dos ovários porque está com mioma de 800 gramas.

A consulta com o obstetra estava marcada para o dia 23 de março (quando seria agendada a cirurgia), foi cancelada. No dia 14 de maio voltou ao Centro de Especialidade Médicas. Recebeu a informação que não há previsão de quando o atendimento será normalizado.