BRASIL
Técnico de enfermagem é preso por suspeita de injetar substâncias e matar três pacientes no DF
Investigação aponta que profissional aplicava substâncias diretamente na veia das vítimas, causando-lhes paradas cardíacas.
Midiamax
19 de Janeiro de 2026 - 14:19

Um técnico de enfermagem que atuava no Hospital Anchieta, em Taguatinga, foi preso no último dia 11, suspeito de provocar intencionalmente a morte de três pacientes internados na unidade. A informação foi divulgada pelo jornal Correio Braziliense.
Segundo as investigações da CHPP (Coordenação de Homicídios e Proteção à Pessoa), da PCDF (Polícia Civil do Distrito Federal), o profissional aplicava substâncias diretamente na veia das vítimas, em doses elevadas, o que resultava em paradas cardíacas. Em um dos casos, conforme apurado, o técnico teria injetado desinfetante no paciente.
Segundo o delegado Wisllei Salomão, coordenador da CHPP, os elementos reunidos até o momento indicam consistentemente a intencionalidade dos crimes. “Temos vídeos que mostram as ações dessas pessoas e a análise detalhada dos prontuários médicos, com tudo o que foi feito com os pacientes. Há indícios convincentes de que o técnico de enfermagem se passou por médico, acessou o sistema que estava aberto, fez a prescrição dos medicamentos, foi até a farmácia, preparou a substância e a escondeu no jaleco antes de aplicá-la nas veias das vítimas”, afirmou ao Correio.
A apuração policial também aponta que o suspeito contava com a participação de outras duas profissionais de enfermagem, que tinham conhecimento das ações. Após a aplicação das substâncias — procedimento que não deve ser realizado pela via intravenosa —, o grupo aguardava a reação dos pacientes, já que os medicamentos provocam parada cardíaca quando administrados dessa forma. Em seguida, o técnico realizava massagens cardíacas, numa tentativa de simular procedimentos de reanimação.
As duas técnicas de enfermagem foram presas e podem ser indiciadas por homicídio. As mortes ocorreram em três datas distintas: no dia 17 de novembro, faleceram uma professora aposentada de 75 anos e um servidor da Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal), de 63. Já em 1º de dezembro, morreu a terceira vítima, um servidor dos Correios, de 33 anos.
Em nota, o Hospital Anchieta informou que, ao identificar circunstâncias consideradas atípicas nos óbitos, instaurou um comitê interno de análise e iniciou uma investigação própria. Com base nas evidências encontradas, a direção da unidade solicitou a abertura de inquérito policial.
Confira a nota na íntegra:
“O Hospital Anchieta S.A., referência em cuidados de saúde em Brasília/DF há 30 anos, vem a público esclarecer as providências adotadas diante de fatos graves envolvendo ex-funcionários da instituição.
Ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua Unidade de Terapia Intensiva, o Hospital instaurou, por iniciativa própria, em cumprimento ao seu dever civil, ético e ao seu compromisso com a transparência, comitê interno de análise e conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de vinte dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes.
Com base nessas evidências, fruto da investigação interna realizada pela instituição, o próprio Hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos os quais já haviam sido desligados da Instituição, prisões as quais foram cumpridas pelas autoridades nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026.
Pautado pela transparência de seus processos e pela confiança nos protocolos internos que norteiam sua atuação, o Hospital entrou em contato com as famílias envolvidas, prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora. Reitera, ainda, que o caso tramita em segredo de justiça, o que impossibilita a divulgação de informações adicionais bem como a identificação das partes envolvidas.
O hospital entende que o segredo de justiça é imprescindível à preservação da apuração, à proteção das partes envolvidas e ao regular exercício das atribuições das autoridades competentes, o qual deve ser estritamente observado de acordo com os limites impostos pela decisão judicial.
O Hospital, enquanto também vítima da ação destes ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a justiça.“




