ECONOMIA
Bracell deve pedir licença para fábrica de celulose em MS até o fim deste mês
Processo de licença deve levar 60 dias; expectativa é de que as obras comecem no segundo semestre, diz Jaime Verruck .
Correio do Estado
07 de Março de 2026 - 09:11

A Bracell, um dos gigantes da celulose que está se instalando em Mato Grosso do Sul, deve entregar o pedido de licença de instalação (LI) da megafábrica que pretende construir no Estado para o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) até o fim deste mês.
A previsão é do titular da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck.
A indústria prevê investimentos de US$ 4,5 bilhões (R$ 23,5 bilhões na cotação mais recente) para levantar, em Bataguassu, cidade distante 330 quilômetros de Campo Grande, uma megafábrica capaz de produzir por ano 2,8 milhões de toneladas de celulose kraft e mais uma quantidade equivalente (porém medida em metros cúbicos) de celulose solúvel.
Depois que a Bracell fizer o pedido da licença de instalação, a expectativa do secretário Jaime Verruck, é de que o órgão ambiental conclua o processo em até 60 dias.
“Nossa expectativa é de que a Bracell faça o pedido de licença de instalação até o fim do mês de março e nós conseguiremos entregar a licença até, provavelmente, meados de maio”, informou Verruck.
Segundo o titular da Semadesc, o Imasul já repassou todas as condições para que a Bracell obtenha a licença para o projeto de sua megafábrica. Atualmente, a Bracell já conta com uma licença prévia, emitida. “No Conselho Estadual de Controle Ambiental [Ceca], que eu presido, já autorizamos a licença prévia”, explicou Verruck.
Depois que a Bracell estiver com a licença de instalação em seu poder, ela estará apta a iniciar suas obras. “A empresa ainda não apresentou o cronograma das obras, mas a minha expectativa é de que, até o fim deste ano, a empresa comece a terraplanagem do local onde será erguida a fábrica”, destacou o secretário.
Investimentos sociais
De forma paralela, a Semadesc, o Imasul, a prefeitura de Bataguassu e a Bracell devem discutir o Plano Básico Ambiental (PBA).
“Não se trata de compensação, e sim daquilo que não é mitigável, como melhoria de escolas, melhoria da estrutura de saúde. Já estamos construindo isso junto com um comitê, no âmbito da prefeitura de Bataguassu”, informou o titular da Semadesc.
“Durante os próximos dois meses, até a emissão da LI, temos de ver a mitigação da empresa em termos de pacto social: construção de escola, centro de triagem, hospital, entre outras obras”, listou.
No ano passado, a Bracell convidou especialistas, incluindo o secretário Jaime Verruck, para discutir ações ambientais no País - Foto: Eduardo Miranda
Megafábricas
Quando concluída, a planta processadora da Bracell em Bataguassu será a sexta fábrica desse segmento econômico em Mato Grosso do Sul. Atualmente, o Estado conta com quatro fábricas em operação: três linhas da Suzano (duas em Três Lagoas e uma em Ribas do Rio Pardo) e uma da Eldorado, em Três Lagoas.
A unidade da Suzano de Ribas do Rio Pardo é, atualmente, a maior planta processadora de celulose do mundo, com capacidade para processar 2,9 milhões de toneladas por ano, mas deve perder o posto para a quinta fábrica de celulose do Estado, que está sendo levantada pela multinacional chilena Arauco em Inocência, que processará, quando concluída, 3,5 milhões de toneladas.
Ainda há uma expectativa – sem confirmação – da construção de uma segunda linha da Eldorado em Três Lagoas.
Bataguassu
Em Mato Grosso do Sul, a previsão é de que a Bracell – que já cultiva florestas no Estado – atue em uma área de aproximadamente 400 mil hectares. As florestas da empresa, de capital indonésio com sede em Cingapura, estão localizadas próximas às instalações de sua futura fábrica, em Bataguassu, e em municípios vizinhos ao sul da região que vem sendo chamada de Vale da Celulose, abrangendo municípios como Água Clara, Santa Rita do Pardo, Ribas do Rio Pardo, entre outros.
A celulose líquida, que será produzida pela Bracell, é largamente utilizada na indústria. Ela é matéria-prima de tecidos, como, por exemplo, a viscose e alguns tecidos sintéticos, além de ser utilizada na indústria de medicamentos.
A celulose kraft de fibra curta, que será produzida nesta fábrica e já é feita no Estado, é usada na produção de papel, produtos de higiene (linha tissue) e embalagens.




