ECONOMIA
Sem planejamento, empresários de MS têm dívidas e não fazem fluxo de caixa
A maior parte dos empresários garante ter controle básico sobre os gastos (80%), contas a pagar (88%) ou a receber (87%), além de formar preços de venda (77%).
Midiamax
11 de Fevereiro de 2016 - 17:13
Muitos empresários do Estado estão com dificuldades na hora de manter o próprio negócio. Pesquisa do Sebrae/MS divulgada nesta quinta-feira (11) aponta que quase metade dos micros e pequenos empresários entrevistados não possui o hábito de fazer a gestão do fluxo de caixa, planejar investimentos ou renegociar dívidas.
O estudo consultou empreendedores da capital e do interior, a maioria das áreas do comércio (46%) e serviços (41%). Também foram entrevistados representantes da indústria, agronegócio e construção civil. Segundo pesquisa, a margem de erro é de 5% para mais ou para menos.
A maior parte dos empresários garante ter controle básico sobre os gastos (80%), contas a pagar (88%) ou a receber (87%), além de formar preços de venda (77%). Porém, cerca de metade deles não possui o hábito de fazer a gestão do fluxo de caixa, planejar investimentos ou renegociar dívidas.
Para a analista técnica do Sebrae em MS, Michele Carvalho, é fundamental desenvolver o fluxo de caixa, prevendo as entradas e saídas futuras da empresa. Essa previsão de cenário permite à empresa visualizar como estão às finanças e analisar se o lucro que será obtido está de acordo com o esperado do investimento; além de antecipar ações que evitem que o caixa fique negativo e também tomar decisões sobre investimentos, aplicações, compras, etc., explica.
Entre aqueles que realizam o planejamento financeiro da empresa, as maiores dificuldades apontadas durante o processo estão a renegociação das dívidas e os controles de gasto e faturamento.
Financiamento e dívidas
Mais de 85% dos entrevistados afirmam que não tentaram obter crédito nos últimos 12 meses. Daqueles que já obtiveram empréstimos bancários em qualquer época a maioria empresas de pequeno porte, os principais fins foram para capital de giro e investimentos em maquinário.
Uma das grandes dificuldades relatadas pelos empresários é conseguir crédito junto às instituições financeiras. Porém, quando é analisado o histórico das MPEs junto às instituições financeiras, observa-se que muitas empresas só procuram os bancos quando necessitam de financiamento, na maioria das vezes, para pagamento de dívidas, disse Michele Carvalho.
Quanto as dívidas, dos empresários ouvidos, 44,4% indicaram possuir; a maior parte contraída devido a empréstimos vigentes (com terceiros) e pendências com fornecedores, além de uma margem menor, mas representativa, por meio de financiamentos bancários. Porém, a grande maioria, 91%, afirma que o pagamento destas dívidas encontra-se sob controle.
O gestor empresarial faz bem em estreitar relacionamentos com terceiros que podem fornecer crédito à empresa para conhecer as opções disponíveis no mercado. Antes de solicitar financiamento é importante prever qual o impacto dessa entrada de dinheiro na empresa, analisando se o retorno será suficiente para ampliar as receitas a fim de pagar o empréstimo e gerar lucro, explica a analista.
Máquina de cartão
A pesquisa ainda mostrou dados quanto à adesão à máquina de cartão: 60,5% utilizam a tecnologia, enquanto 36,7% não têm acesso (2,8% afirmaram que já tiveram experiência com a ferramenta, mas não fazem mais uso).
Os maiores benefícios da máquina, apontados pelos entrevistados, são: menor inadimplência, mais clientes, mais segurança, parcelamento e facilidade. As desvantagens, segundo eles, ficaram por conta do custo do aluguel da máquina, do desconto cobrado, das taxas, juros altos e dificuldade em aceitar algumas bandeiras.




