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Economia

Após ano fraco, economia começa 2019 sem fôlego

Indicadores antecedentes indicam crescimento tímido no 1.º trimestre. Atividade só ganha fôlego com Previdência, segundo economistas.

G1

28 de Fevereiro de 2019 - 09:48

Depois de um ano fraco – o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,1% em 2018, a mesma expansão do ano anterior – os primeiros indicadores de 2019 já mostram que a economia brasileira segue com um ritmo ainda lento neste primeiro trimestre. Na leitura de bancos e consultorias, um desempenho mais robusto do PIB deste ano está condicionado ao andamento do ajuste fiscal, e só deve ocorrer a partir do segundo semestre.

A fraqueza atual da economia fica evidente pelos indicadores antecedentes já disponíveis da indústria e do comércio – aqueles que são utilizados para medir a 'temperatura' da atividade. Por ora, esses números mostram apenas uma recuperação das perdas observadas no fim do ano passado ou um crescimento modesto; o que, na avaliação dos analistas, não indica uma atividade econômica em forte aceleração.

O que revelam alguns indicadores antecedentes dessazonalizados, ou seja, sem os efeitos típicos de cada mês:

  1. A confiança do consumidor medida pela FGV subiu 3,9% em janeiro, mas caiu 0,5% em fevereiro;
  2. O fluxo de veículos leves e pesados nas estradas teve um desempenho tímido em janeiro e cresceu 1,2% e 1,8%, respectivamente, após ficar praticamente estável em dezembro;
  3. A produção de papel ondulado (usado pela indústria em embalagens, e por isso um indicador da atividade econômica) avançou 1,1% em janeiro e não compensou a queda de 1,8% em dezembro;
  4. A venda de veículos teve alta de 2,9% em janeiro, recuperando pouco a queda de 2,7% de dezembro;
  5. A produção de veículos cresceu 2,7% em janeiro, depois de recuar 5% em dezembro.

"Alguns indicadores estão apenas recompondo parte da perda de dezembro", afirma a economista e sócia da Tendências Consultoria Integrada, Alessandra Ribeiro. "Não é nada que chame muito a atenção, a economia continua andando devagar."

"Houve uma frustração da atividade econômica no fim do ano passado. A indústria de transformação, que já vinha perdendo gás, sofreu com a crise da Argentina", afirma Silvia Matos, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

A Argentina - um dos principais parceiros comerciais do Brasil - enfrenta uma severa crise econômica, o que tem prejudicado a venda de produtos manufaturados brasileiros. No ano passado, o Brasil exportou US$ 14,951 bilhões para o país vizinho, abaixo dos US$ 17,618 bilhões apurados em 2017.

A atividade econômica do primeiro trimestre também deve ser prejudicada por uma menor contribuição do agronegócio. Com um clima ruim, a safra atual deve ser menor do que a de anos anteriores. No último levantamento, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou que a safra 2018/19 de soja vai chegar a 115,34 milhões de toneladas, 3,3% inferior ao produzido no ciclo de 2017/18.

"Neste ano, dada essa redução, não vai haver o forte impulso do agronegócio no PIB do primeiro trimestre", afirma Artur Passos, economista do banco Itaú.

Base Fraca

Numa análise fria, as previsões para o PIB do primeiro trimestre até podem sugerir uma melhora da atividade na comparação com o quarto trimestre, quando o Brasil cresceu 0,1%. Para os três primeiros meses de 2019, bancos e consultorias estimam um avanço de até 0,8%, mas esse desempenho pode ser explicado mais pela fraca base de comparação do que por uma aceleração da economia.

"Estamos com uma previsão de 0,8% (de crescimento no primeiro trimestre). Dá impressão de que está tudo bem, mas é que o quarto trimestre foi bem ruim, por isso esse número mais forte", afirma o economista-chefe da consultorias MB Associados, Sergio Vale.

Aceleração só com Previdência

Os analistas avaliam que a economia só deve ganhar tração no segundo semestre se o governo conseguir aprovar a reforma da Previdência, considerada fundamental para o acerto das contas públicas. Sem ela, as previsões para a atividade econômica devem piorar, caminhando para um número de PIB abaixo de 2% no ano, segundo analistas, diante da falta de confiança dos investidores na solvência da dívida pública brasileira.

Neste mês, o governo Jair Bolsonaro apresentou a proposta para a reforma da Previdência que prevê mudança na idade mínima e abrange setores público e privado. A estimativa da equipe econômica é que a reforma traga uma economia de R$ 1,16 trilhão em dez anos, mas os economistas avaliam que esse valor deve recuar para uma faixa de R$ 600 bilhões a R$ 800 bilhões na negociação com o Congresso.

"Com a aprovação de uma reforma da Previdência, deve haver uma aceleração dos investimentos, puxando o crescimento do PIB no segundo semestre", afirma Lucas Nobrega, economista do banco Santander.