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Um jornal a serviço do MS. Desde 2007 | Quarta, 14 de Janeiro de 2026

Mato Grosso do Sul

2ª maior alta do país: casos de ferrugem asiática sobem para 54

Cerca de 31% de todas as notificações registradas no Brasil na safra 2025/2026 estão concentradas em MS.

Midiamax

14 de Janeiro de 2026 - 09:32

2ª maior alta do país: casos de ferrugem asiática sobem para 54
Planta infectada com ferrugem asiática. (Divulgação, Acrissul)

Em menos de 24 horas, os registros de ferrugem asiática da soja em Mato Grosso do Sul saltaram de 46 para 54, colocando o Estado entre os principais focos da doença no país. Cerca de 31% de todas as notificações registradas no Brasil na safra 2025/2026 estão concentradas em MS, que atualmente ocupa a segunda posição no ranking nacional de casos.

Dados do Consórcio Antiferrugem apontam 54 registros da doença em Mato Grosso do Sul, na safra 2025/2026. O levantamento considera o período de junho de 2025 a janeiro de 2026 e revela um crescimento acelerado, com um caso em novembro, 21 em dezembro e 24 apenas em janeiro. Ou seja, o primeiro mês de 2026 já superou todo o número de ocorrências registradas ao longo da safra anterior.

2ª maior alta do país: casos de ferrugem asiática sobem para 54
(Fonte: Consórcio Antiferrugem)

Os casos ocorreram em 18 municípios do Estado: Amambai (2), Antônio João (2), Aral Moreira (4), Bonito (2), Caarapó (2), Coronel Sapucaia (2), Dourados (2), Guia Lopes da Laguna (1), Itaporã (1), Itaquiraí (2), Ivinhema (2), Juti (1), Laguna Carapã (3), Maracaju (3), Naviraí (13), Ponta Porã (3), Sete Quedas (8) e, por fim; Sidrolândia (1).

Conforme o monitoramento do consórcio, mantido pela Embrapa e por instituições parceiras, os focos estão concentrados em áreas comerciais em estágios avançados da cultura, o que aumenta o risco de impactos diretos na produtividade e na rentabilidade das lavouras.

Condições climáticas favorecem a doença

A ferrugem asiática é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi e se manifesta inicialmente por pequenas lesões marrom-avermelhadas na face inferior das folhas. Com a evolução da doença, surgem pontos escuros por toda a superfície foliar, levando à redução da área fotossintética, necrose e desfolha precoce.

Sem controle, as perdas podem chegar a até 90% da produção, tornando a doença uma das mais severas ameaças à cultura da soja. Conforme o coordenador técnico da Aprosoja-MS, Gabriel Balta, o cenário climático tem contribuído para o avanço da ferrugem.

“Calor excessivo, aliado à alta umidade, cria condições ideais para o aumento da população do fungo e para a disseminação dos esporos, que ocorre principalmente pelo vento, favorecendo o surgimento de novos focos”, explica.

Manejo integrado

O controle da ferrugem asiática exige ação contínua e integrada, que envolve:

  • Cumprimento rigoroso do vazio sanitário;
  • Rotação de culturas;
  • Semeadura dentro da janela recomendada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária;
  • Uso de cultivares com maior tolerância;
  • Monitoramento frequente das lavouras;
  • Aplicação técnica e criteriosa de fungicidas, quando indicada.

2ª maior alta do Brasil

Na safra 2024/2025, Mato Grosso do Sul registrou 12 ocorrências de ferrugem asiática e ocupou a terceira posição nacional, atrás apenas do Paraná (66) e do Rio Grande do Sul (26). No entanto, na safra atual, o Estado saltou para 54 registros, cerca de 3,8 vezes mais que na anterior.

No Brasil, o total de notificações também apresentou crescimento expressivo, com 174 ocorrências. Paraná concentra a maior incidência, com 99 registros. Em seguida, aparecem: MS, com 54; Rio Grande do Sul, com 14; São Paulo, com 4; Santa Catarina, com 2; e Minas Gerais, com 1 caso.

A primeira ocorrência de ferrugem asiática em Mato Grosso do Sul ocorreu em 2023, durante a safra de soja 2023/2024. O caso ocorreu em uma lavoura localizada em Laguna Carapã, na região sudoeste do Estado. A lavoura havia sido plantada na 2ª quinzena de setembro e estava no estádio fenológico R5.