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Um jornal a serviço do MS. Desde 2007 | Quinta, 12 de Fevereiro de 2026

Mato Grosso do Sul

Viver em MS custa, em média, dois salários mínimos por mês, aponta pesquisa

Dourados News

12 de Fevereiro de 2026 - 09:00

Viver em MS custa, em média, dois salários mínimos por mês, aponta pesquisa
Dados fazem parte de pesquisa realizada pelo Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box - Crédito: Clara Medeiros/Arquivo/Dourados News

Considerando que o novo salário mínimo para 2026 é de R$ 1.621, viver em Mato Grosso do Sul requer uma renda de pouco mais que o dobro desse valor considerando os hábitos de consumo que levam aos itens mais presentes no orçamento dos brasileiros. É o que aponta uma pesquisa divulgada pela Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, que estimou o custo de vida dos moradores do Estado em R$ 3.330 por mês.

MS está abaixo da média nacional, que é de R$ 3.520, e aparece na 14ª posição se comparado a outras unidades federativas, devido aos gastos com moradia e saúde. “Esses dois itens têm grande peso no orçamento das famílias e acabam diminuindo o gasto total do Estado”, explica Jeniffer Chagas, especialista da Serasa em educação financeira.

Os gastos com moradia que incluem itens como aluguel, condomínio ou financiamento, ficam em R$ 900 por mês para o sul-mato-grossense, enquanto no país é de R$ 1,1 mil. Já no caso da saúde o aporte é de R$ 280, muito inferior à média de R$ 540 dos brasileiros. Isso faz com que o morador do Estado seja o que menos gasta nesse segmento, que inclui desde consultas médicas, exames e medicamentos, até atividade física.

“Existem algumas explicações possíveis para que o Estado entre nesse cenário, podendo ser o maior uso da rede pública de saúde, reduzindo as despesas particulares; menor adesão a planos de saúde privados que são uma das maiores fontes de gastos na categoria como um todo; e o menor investimento em atividades físicas pagas, como academias e esportes, ou seja, não significa necessariamente que o custo seja mais baixo na região e sim que a população investe menos nesse segmento", explica Jeniffer.

O QUE PESA NO ORÇAMENTO

A pesquisa ainda traz a fatia correspondente às contas recorrentes, como água, luz, internet, streaming, entre outros. Nesse, o Estado aparece como o terceiro com maior gasto do país, chegando a R$ 610, enquanto a média nacional é R$ 520. MS só fica atrás do Distrito Federal (R$ 640) e do Mato Grosso (R$ 670).

“Esse valor, ele pode ser explicado por três principais fatores: custo estrutural mais alto no Centro-Oeste com energia e telecomunicações; maior consumo médio por domicílio, especialmente de energia; e expansão dos usos de serviços digitais, streaming, internet, e que entram nessa categoria e que na região pode ser mais utilizado", aponta a especialista.

Os dados também apontam os gastos dos moradores de MS com supermercado (R$ 970); compras em geral, como calçados, cosméticos e para os pets (R$ 380); alimentação fora de casa (R$ 280); lazer (R$ 340); e serviços e cuidados, como barbearia, manicure e tratamentos estéticos, por exemplo (R$ 110).

Além desses, o levantamento coloca o Estado em sétimo no ranking de gastos com mobilidade e transporte, a um custo de R$ 350. Nesse valor são considerados itens conforme o tipo de veículo utilizado, como combustível, passagem de ônibus, transporte por aplicativo, táxi, estacionamento, manutenção do veículo, entre outros.

“O principal motivo desse alto custo de combustível na região é devido ao deslocamento diário, maiores distâncias e a necessidade, muitas vezes, de ter um transporte individual na região Centro-Oeste do país”, esclarece Jeniffer.

COMO ECONOMIZAR

Sete em cada dez brasileiros tem a percepção de que o custo de vida aumentou nos últimos 12 meses, e apenas dois em cada dez consideram fácil gerenciar os pagamentos e despesas, conforme o estudo.

Apesar de ter boa parte da renda comprometida com despesas fixas e recorrentes, a especialista em educação financeira destaca que é possível ao sul-mato-grossense encontrar formas de economizar no dia a dia.

“O primeiro passo é olhar com atenção para as contas [recorrentes] mensais, especialmente porque o Estado está entre os que mais gastam com esse tipo de despesa. Muitas vezes, renegociar pacotes de internet, telefonia e serviços de streaming geram uma economia imediata sem a perda da qualidade”, orienta.

Outro ponto que considera fundamental é manter um controle constante do orçamento. “Anotar gastos, mesmo que sejam pequenos, ajuda a entender onde o dinheiro está indo e aonde há espaço para ajuste na economia. No mercado pesa no bolso também comparar os preços, planejar as compras e evitar comprar por impulso, faz total diferença no final do mês”, afirmou a especialista da Serasa, que é um serviço de proteção ao crédito.

Ela lembra que atualmente existem ferramentas de educação financeira através de cursos gratuitos, capazes de colaborar nessa reorganização das contas.