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Mundo

Coronavírus: Ameaça de pandemia é real, diz OMS

Diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, fez afirmação.

G1

09 de Março de 2020 - 14:38

O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou nesta segunda (9) que a "ameaça de pandemia" pelo Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, é real.

"Agora que o novo coronavírus está presente em muitos países, a ameaça de uma pandemia tornou-se muito real", declarou Tedros. "Mas seria a primeira pandemia da história que poderia ser controlada. O ponto principal é: não estamos à mercê deste vírus", disse.

Segundo o último boletim da entidade, 101 países, áreas ou territórios foram atingidos pelo Covid-19.

"Acho que ainda estamos no começo ou no meio da epidemia. Ainda estamos bastante no ciclo de subida da doença. A doença não terminou seu caminho de forma alguma", afirmou Michael Ryan, diretor-executivo de programas de emergência da OMS.

Para Ryan, o princípio do uso da palavra "epidemia" é que a doença está mais espalhada de país para país. "Da nossa perspectiva, nós estamos alcançando o ponto, com 100 países e 100 mil casos, em que é hora de olhar para trás e pensar. Não é uma medida quantitativa, mas qualitativa. A essa altura, muitos países podem ser afetados, o vírus estará em todos os lugares", afirmou Ryan.

"Não estou preocupado com a palavra, estou preocupado com a reação do mundo a essa palavra. Qual vai ser a reação? Lutar contra o vírus ou desistir?" - Michael Ryan, OMS

Apesar disso, ele citou casos como o da China e de Singapura, que estão conseguindo combater o vírus e reduzir a transmissão local.

"Com certeza podemos ver uma luz no fim do túnel", declarou Maria van Kerkhove, líder técnica de programas de emergência da entidade.

"Se nós tivemos um país ter mais de 80 mil casos e agora reduzir, isso é mais que esperança, é prova de que pode ser reduzido", disse van Kerkhove. A China registrou, nesta segunda (9), o menor número de novas infecções diárias desde o início de janeiro. A tendência de queda no país vem sendo registrada desde, pelo menos, o fim de fevereiro.

Os especialistas relembraram as medidas para evitar a disseminação do vírus: manter distância entre as pessoas, evitar aglomerações e manter a higiene das mãos.

"De todos os casos reportados ao redor do mundo até agora, 93% são de apenas 4 países", lembrou Tedros. "Essa é uma epidemia desigual no nível global. Países diferentes têm cenários diferentes, pedindo uma resposta personalizada".

Os países com mais casos reportados de Covid-19 são a China, onde o vírus surgiu, o Irã, a Coreia do Sul e a Itália.

Van Kerkhove também destacou a necessidade de investigar a transmissão do vírus para trabalhadores de saúde - apesar de esse não ser, segundo a cientista, um grande fator de disseminação do Covid-19. Ryan lembrou que é difícil obter dados por causa da emergência com o vírus, e que os trabalhadores de saúde correm mais risco quanto maiores forem suas jornadas.

"É muito difícil usar equipamento protetor - é quente, é restritivo. Os trabalhadores na China estão trabalhando 8 horas sem poder ir ao banheiro", lembrou Ryan, quando questionado sobre as infecções entre trabalhadores de saúde.

"Você gostaria de ser um médico ou uma enfermeira tratando um paciente sabendo que não está protegido?", questionou. "O mínimo que nós podemos fazer é garantir que eles tenham o equipamento e o treinamento adequados."

A fala retomou um alerta, da semana passada, em que a entidade alertou contra o mau uso de equipamentos de proteção pessoal pela população em geral, que poderia levar à escassez desses materiais para trabalhadores de saúde.

Maioria tem casos leves ou moderados

Van Kerkhove lembrou, ainda, que 80% dos casos da doença analisados na China foram leves - pessoas com dores no corpo, febre ou tosse. Alguns podem desenvolver pneumonia pouco grave. Pacientes mais velhos, com outras doenças como diabetes, câncer ou do sistema cardiovascular correm mais risco de desenvolver quadros mais graves e têm mais risco de morte.

Mais de 20% das pessoas acima de 80 anos morrem de Covid-19, anunciaram os especialistas nesta segunda. Segundo a OMS, 13% dos pacientes que têm doenças cardiovasculares vêm a falecer, assim como 9% dos que têm diabetes.

"Qualquer indivíduo, de qualquer idade, importa. Nos machuca saber que em alguns países eles querem ir para a mitigação porque o vírus só mata as pessoas mais velhas. Isso é perigoso. Se mata uma pessoa mais velha ou mais nova, qualquer país tem obrigação de salvar aquela pessoa", disse Tedros.

"A taxa de letalidade desse surto é alta. Nós não deveríamos categorizar por novo ou velho. Temos que entender do ponto de vista da epidemiologia, mas todas as vidas importam", disse o diretor-geral.

"Nós não desistimos. Nós lutamos - para proteger nossas crianças, nossos velhos. No fim do dia, é uma vida humana" - Tedros Adhanom Ghebreyesus

Michael Ryan lembrou, ainda, que é difícil avaliar os números de pacientes que se recuperaram da doença, pois não há um critério técnico para a recuperação e a OMS não monitora esses números. Mesmo um paciente que tenha dois testes negativos para o vírus, pode levar meses para que ele se recupere da doença do ponto de vista clínico, disse.

Segundo a rede de televisão chinesa CGTN, 58.684 pessoas haviam se recuperado do Covid-19 até esta segunda-feira (9).

Quarentena na Itália

Os especialistas da OMS também comentaram a situação na Itália, onde cerca de 16 milhões de pessoas estão em quarentena no norte do país. Ryan lembrou que, apesar de o isolamento não evitar mais a contaminação onde o vírus já está, pode retardar a disseminação dele.

"Reduzir a infecção em outras áreas pode ajudá-las a se prepararem", disse Ryan. "A China conseguiu manter todas as outras províncias sob controle. Conseguiu lidar porque só teve uma Wuhan - imagine se todas as províncias fossem Wuhan".

A Itália é o país mais afetado no continente europeu, com quase 4 mil casos diagnosticados e 366 mortes. A região da Lombardia, onde fica Milão, é a mais atingida.