Policial
Adolescente que matou menino de 6 anos planejou roubar casa uma semana antes
Midia Max
09 de Abril de 2013 - 09:00
Assim que cometeu o primeiro roubo de R$ 50 na casa de Kauan de Sena Golube, seis anos, morto por asfixia na última quinta-feira (40), no Jardim Itamaracá, em Campo Grande, o adolescente O.G. da S. contou o fato à namorada e também planejou voltar ao local, há cerca de uma semana.
Estes detalhes da tragédia estão no depoimento do autor e da namorada, indiciada como co-autora no latrocínio (roubo seguido de morte). Eles, friamente, segundo a delegada Regina Márcia Rodrigues, responsável pelas investigações, relataram tudo à Polícia Civil. O primeiro contato com o adolescente foi por volta das 6h de sábado (6), horas depois de o casal ter sido flagrado tentando viajar para Campinas (SP).
Adolescente trabalhava em um lava-jato e diariamente encontrava com a vítima
De frente para a autoridade policial, o adolescente falou que foi vizinho do menino por três meses, na rua Joana Maria de Souza. Ele morava no local com a namorada Eliane Pereira Martins de Souza, 19 anos e trabalhava em um lava-jato nas proximidades. E era no horário do almoço, entre 12h e 13h, que diariamente o adolescente encontrava com o menino.
Em um dia destes, no mês passado, o adolescente garante que chegou mais cedo em casa e sentou na frente para tomar tereré. Foi o momento em que Kauan se aproximou com algumas moedas e me perguntou se dava para comprar alguma coisa. Respondi que não e pedi mais dinheiro para ele. O menino falou que com ele não tinha, só que em sua casa tinha dinheiro guardado, disse o adolescente.
Sabendo que Kauan estava sozinho, o adolescente pediu a ele para mostrar o dinheiro. Ele viu R$ 80 em uma cômoda próxima ao banheiro e roubou R$ 50. O adolescente inclusive cita para a polícia que o garoto o viu pegando o dinheiro e por isso deixou um restante. Foi aí que a vítima disse que ia contar tudo para a mãe.
Com dinheiro do primeiro roubo, adolescente convidou a namorada para lanchar
O adolescente fugiu e gastou todo o dinheiro em um parquinho instalado nas proximidades, além de uma pizzaria e uma lanchonete, onde foi embora tarde da noite. Na volta, avistou a mãe de Kauan o esperando e negou o roubo de qualquer quantia. Porém ela insistiu e disse que não o denunciaria, porém não era para fazer de novo.
Assim que dispensado do serviço, voltou para a casa da mãe, próximo ao parque Elias Gadia, no bairro Taveirópolis. Todos os móveis ficaram no local e o adolescente conseguiu um comprador na quinta, tendo combinado às 14h com a pessoa em sua antiga residência.
O comprador chegou, mas não se interessou por nada. Kauan, segundo o depoimento do adolescente, estava em sua casa, com o portão fechado. É esta hora em que ele decidiu entrar lá para pegar mais dinheiro. Ficou aguardando a criança sair da casa e pouco depois o avistou comendo uma maça.
O assassino pediu uma fruta e o menino respondeu lá dentro tem, ao que o adolescente o persuadiu para entrar lá dentro e pegar a maça ou alguma coisa pra comer. Kauan procurou a chave no portão até que achou uma e abriu parcialmente. O acusado forçou e conseguiu entrar, momento em que o garoto lhe ofereceu pão com manteiga.
Menino o expulsou de casa quando percebeu o crime e foi amordaçado logo em seguida
Ao contrário do que o garoto imaginava, ele não queria comer e começou a revirar as coisas. No desespero, ele alega que não achou nada e o menino ainda ficava o expulsando da casa, com o inseticida e dizendo que iria contar para a mãe. O adolescente, neste momento, dá detalhes de como amarrou a mão do menino com uma camiseta que estava jogada no chão.
A vítima gritou e o acusado tapou a boca dele com a mão, além de amarrar as mãos e o amordaçá-lo. A força foi tamanha que a perícia constatou que quebrou um dente do menino. O garoto ainda foi imobilizado e o adolescente o viu chorando, sendo que mesmo assim continuou com a ação criminosa.
O adolescente fugiu com o DVD, trancou a casa e jogou a chave no meio da quadra. O desfecho da história infelizmente já sabemos. A namorada, grávida de três meses, não estava junto na ocasião, mas o adolescente garantiu a polícia que ela sabia que ele tinha a intenção de voltar ao local.
Há uma semana, falei pra ela que na casa daquele garoto tinha dinheiro e contei do fato, dizendo ainda que achava que tinha matado o garoto. Por isso, pedi para ela acompanhar os noticiários e vi no outro dia a mãe do Kauan falando de sua morte. Quando ela falou que desconfiava do vizinho, decidi viajar para Campinas (SP), até a poeira baixar, ressalta o adolescente.
Filho da namorada do assassino sempre brincava com a vítima
A partir daí, a fuga teve fim em Bataguassú, quando ele foi preso com a namorada em um dos ônibus. Já Eliane, que também possui um filho chamado Kauan e que brincava com a vítima, o qualificou como sendo uma criança sociável e que se dava bem com todo mundo.
Ao contrário do depoimento do adolescente, que disse não ter vendido os móveis, a namorada afirmou que ele os entregou por R$ 400 e que mesmo assim o adolescente decidiu roubar a casa de Kauan, friamente dizendo depois a ela: Acho que matei o Kauan. Dessa maneira, o adolescente comprou a passagem do casal para Campinas.
A mãe do adolescente que tinha adquirido um ticket para às 16h30 do sábado, seguiu viagem para Campinas (SP), apesar de ter mentido para a investigação quando falou que o filho tinha ido para Anastácio. Já o filho foi para a Unei (Unidade Educacional de Internação) e a sua nora para o Estabelecimento Penal Feminino.




