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Policial

Adolescente que matou outro a facadas em ônibus alega que era vítima de ‘bullying

O menino, de 14 anos, disse que o outro adolescente chegou a ameaçá-lo com um canivete “cutucando” o garoto, como se fosse feri-lo.

MidiaMax

05 de Setembro de 2014 - 14:09

O jovem, de 14 anos, autor do homicídio que vitimou M.H.S, de 16 anos, na noite de quinta-feira (4), afirmou para a Polícia Civil que era vítima de bullying no colégio. O garoto disse que sofria provocações constantes e que chegou a ser ameaçado diversas vezes.

Ainda de acordo com alegações do menino, M.H.S o agredia verbalmente, insultando com apelidos ofensivos e também fisicamente. O menino, de 14 anos, disse que o outro adolescente chegou a ameaçá-lo com um canivete “cutucando” o garoto, como se fosse feri-lo e, um dia antes do crime, colocou uma faca no pescoço do jovem.

Reação incomum

O coordenador da ONG Psicólogo sem Fronteiras, Getúlio Gideão, afirma que o tipo de reação que o adolescente de 14 anos teve, perante as provocações e ameaças, não é comum. Ele afirma que, normalmente, as vítimas de bullying tendem a apresentar quadros de depressão, mas por se sentirem inferiores, não reagem.

Para Getúlio, o adolescente agrediu o autor das provocações porque se sentiu superior e não aceitou as provocações, o que resultou na agressão, que não é uma atitude comum das vítimas de bullying. O psicólogo ainda diz que, na maioria dos casos, quem pratica bullying, já sofreu agressões da mesma forma. “Os autores do bullying normalmente já sofreram com as mesmas provocações. Eles reservam intermanete a agressividade e externalizam agredindo terceiros”, afirma Getúlio, que completa “eles vão praticar o que já praticaram contra eles”.

O bullying é uma forma de agressão, que pode ser a partir de maus tratos verbais, morais, sociais e físicos. Para a vítima, as provocações são dolorosas e cruéis e, para os autores, não há justificativa, eles apenas praticam o bullying por praticar. “Os autores das provocações normalmente acham que é vingança pelo que já sofreram e ficam satisfeitos com isso”, diz o psicólogo.

Para Getúlio, o ambiente escolar, onde a prática de bullying é predominante, deveria ter a presença de mais psicólogos, não apenas para orientar as crianças, mas também os professores e coordenadores, para saberem como agir mediante esse tipo de situação.

O crime

O adolescente de 16 anos foi morto com duas facadas na noite de quinta-feira (4). A vítima foi ferida pelo jovem, de 14 anos, dentro de um ônibus de transporte urbano, após a saída do colégio.

De acordo com a Polícia Civil, depois de ser esfaqueado, o adolescente desceu do ônibus e caiu em um bar, na Rua Ponta Grossa, Jardim Panorama. O jovem sangrava muito e foi socorrido por populares e levado para a UBS (Unidade Básica de Saúde) Tiradentes, onde acabou morrendo. O médico que atendeu a vítima disse que ela tinha perfurações na altura da clavícula, que atingiram o coração.

A Polícia Militar atendeu o caso e recebeu a informação de que o autor do crime estava em uma casa no Parque Residencial Iracy Coelho. O garoto de 14 anos foi encontrado e confessou o homicídio. Ele disse que sofria ameaças e, na quinta-feira, levou uma faca para a escola, dentro da mochila.

O menino ainda afirmou que foi novamente provocado na saída da escola e, já dentro do ônibus, golpeou M.H.S por duas vezes. Ele foi apreendido e será encaminhado para a Unei (Unidade Educacional de Internação).