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Policial

Advogado e fiscal sanitário foi executado com tiros no braço, pescoço e ouvido

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) criou comissão para acompanhar as investigações, já que Eduardo era bacharel em direito.

Correio do Estado

18 de Agosto de 2016 - 13:00

Exame de raio-x feito por peritos do Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol) de Campo Grande apontam que o fiscal sanitário Luiz Eduardo Lopes, de 45 anos, foi atingido por seis tiros, no braço, pescoço e ouvido. São dez orifícios, de entrada e de saída, encontrados no corpo da vítima executada na manhã de terça-feira (16), na Avenida Raquel de Queiroz, bairro Aero Rancho.

A motivação do crime e os suspeitos ainda não foram identificados, embora a possibilidade de acerto de contas referente ao ramo de atuação do fiscal tenha sido estudada pela polícia. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) criou comissão para acompanhar as investigações, já que Eduardo era bacharel em direito. 

Na tarde de terça-feira, agentes do Serviço de Investigações Gerais (SIG) da Polícia Civil realizaram trajeto feito pela vítima, em busca de pistas, bem como de câmeras de segurança que pudessem auxiliar na identificação dos suspeitos, porém, os dispositivos de captura de imagens averiguados em estabelecimentos próximos não funcionavam. O objetivo era o de verificar os horários que vítima saiu de casa e se, por exemplo, era perseguida pelos executores.

Segundo o delegado Gomides Ferreira dos Santos Neto, coordenador do SIG, ao menos por enquanto, não há evidências de que o crime possa estar ligado com o trabalho de Eduardo. “É cedo para fazermos qualquer afirmação. Não podemos descartar nenhuma possibilidade, mas também não podemos afirmar qual a motivação. Em conversas com familiares, levantamos informações que podem nos nortear, mas tudo é mantido em sigilo”, pontuou o delegado.

Apesar do ar de mistério feito pela polícia, informações extra-oficiais apontam que o fiscal não era bem visto por comerciantes do Aero Rancho, pelo modo, à vezes grosseiro, que os tratava. “Nada neste sentido chegou a nós”, observa Gomides. A família disse à polícia que o homem sofria de transtorno bipolar (alteração entre períodos de muito bom humor e períodos de irritação ou depressão, as chamadas oscilações de humor) e era considerado estressado e agressivo. Tais evidências coincidem a suspeita refutada pelo delegado, mas colegas de trabalho informam que o homem, apesar dos problemas psicológicos, era uma pessoa tranquila e bastante solícita, sem nenhum tipo de desavença no ambiente de trabalho. Ele estava na prefeitura há 24 anos.

Conforme noticiado ontem pelo Correio do Estado, Eduardo havia sido remanejado para o Aero Rancho no dia 1º de março, no entanto, o deslocamento foi publicado no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande), do mesmo dia da execução. Além disso, neste período a vítima tinha dois pedidos de licença para tratamento de doença. O SIG acompanhou o caso no ato do flagrante, mas a ocorrência foi encaminhada ontem à 5ª Delegacia de Polícia da Capital, responsável por atender a região dos fatos.

Gomides informou que fez os levantamentos iniciais para adiantar as investigações, até porque o cartório só despachou o caso à unidade responsável cerca de 24 horas depois (expediente normal), e que o SIG está à disposição para voltar a atuar neste homicídio desde que seja acionado. 
OAB

A secional sul-mato-grossense da OAB acompanha de perto as investigações, por meio dos advogados  Fábio Andreasi, presidente da Comissão de Advogados Criminalistas (CAC), e Silmara Salamaia, presidente da Comissão de Defesa das Prerrogativas (CDA), considerando que a vítima, apesar de não atuar na área, era bacharel em direito. Os representantes compareceram à delegacia para conversar com a polícia. 

“A OAB/MS repudia, com veemência, qualquer tipo de violência contra advogados. Designamos as comissões da entidade para acompanhar este caso na intenção de obtermos resposta com maior brevidade. Não podemos aceitar que um crime dessa natureza seja relegado, posteriormente, ao esquecimento”, afirmou o presidente da OAB/MS, Mansour Karmouche. De acordo com Mansour, a OAB/MS irá exigir rigor e celeridade das autoridades competentes na apuração do caso. A diretoria da OAB/MS manifesta profundo pesar pela morte do advogado.

EXECUÇÃO

Por volta das 8h20 da manhã de terça-feira, conforme noticiado pelo Correio do Estado, Eduardo seguia pela Rua da Divisão e adentrou à Avenida Raquel de Queiroz, momento em que um Pálio prata supostamente ocupado por dois suspeitos se aproximou e deu sinal de luz. A vítima estacionou seu Gol em frente a um bar no cruzamento da Raquel de Queiroz com a Rua Lírios do Campo, sendo baleada pelo passageiro do Pálio, que usou revólver calibre 38.

Em seguida os assassinos fugiram em alta velocidade pela Rua Bueno, quase atropelando pedestres. Ao lado do corpo havia diversos processos sanitários e administrativos de estabelecimentos da região.