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Policial

Após briga com pai e namorado, adolescente é encontrado morto em Campo Grande

No interior da casa, um caderno e várias cartas com ‘dizeres suicidas’, de acordo com a delegada, foram apreendidos

Campo Grande News

05 de Abril de 2013 - 07:57

Embora estivesse morando com o companheiro há pelo menos dois anos, de acordo com a polícia, o adolescente M.Q.P., 15 anos, sofria com o preconceito do pai e desentendimentos com a travesti R.M.A., 19 anos, conhecida como Rayanne. Infelizmente, ele também bebia e se drogava. Na última segunda (1), logo após uma briga, o adolescente saiu com um lençol para a varanda e se enforcou.

Quem presenciou a cena, foi uma testemunha não identificada. À polícia, ele disse que a vítima e a travesti estavam em casa, no bairro Coronel Antonino, em Campo Grande, quando por volta das 14h15, teve início uma discussão. Rayanne saiu de casa pouco depois e o adolescente se trancou no quarto. Meia hora depois, a testemunha diz que estava deitada e escutou barulhos na varanda.

Ao sair para ver o que estava acontecendo, se deparou com o adolescente enforcado por um lençol. A pessoa rapidamente entrou em contato com vizinhos, Corpo de Bombeiros e o Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência). Eles levantaram o adolescente e cortaram o lençol para soltá-lo, constatando o óbito logo em seguida.

Rayanne voltava para casa neste momento. Na esquina avistou as viaturas e correu para saber o que estava acontecendo. Foi então avisada da morte do companheiro. Triste, de acordo com polícia, ainda teve tempo de dizer que este não seria a primeira vez que o adolescente teria tentado se matar, da mesma maneira que ele.

”Quando bebia e fumava maconha, o adolescente tinha uma tendência suicida e inclusive atentou contra a vida em Bela Vista. Estas informações foram ditas aos policiais na ocasião e agora vamos chamá-lo para um depoimento formal”, afirma a delegada Christiane Grossi, responsável pelas investigações.

No interior da casa, um caderno e várias cartas com ‘dizeres suicidas’, de acordo com a delegada, foram apreendidos. “A letra vai passar por um exame grafotécnico, mas a suspeita é de que pertencem a Rayanne”, explica a delegada Grossi. Na verdade, é o companheiro da vítima quem por diversas vezes escreveu mensagens, cartas, como se fossem um ‘ritual de alívio’ e antecedessem a sua morte.

Em uma delas, ele inclusive pede desculpas ‘por ter partido cedo’, diz que ama muito os familiares e pede a eles para que ‘não se magoem’. Todos os detalhes da história estão sendo investigados pela Polícia Civil.