Policial
Campo-grandense preso em ação antiterror se converteu ao islã na prisão
Leonid nasceu na Capital, mas morava no Mato Grosso, onde foi preso
Correio do Estado
23 de Julho de 2016 - 09:40
Preso na quinta-feira (21) durante ação antiterror da Polícia Federal, o campo-grandense Leonid El Kadri, de 32 anos, se converteu ao islamismo enquanto permaneceu preso pelo crime de homicídio, no Mato Grosso. Leonid e outros 10 detidos por planejar ataques terroristas durante as Olimpíadas do Rio de Janeiro estão no Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande desde ontem.
A advogada Zeina El Kadre, de 35 anos, é irmã de Leonid e disse ao Portal Correio do Estado que toda a família está abalada com a prisão. Ela conta que os pais são funcionários públicos e tiveram quatro filhos, a mais velha morreu. Todos nasceram em Campo Grande, mas a família se mudou quando os irmãos ainda eram pequenos para o interior do Mato Grosso e depois para Tocantins.
Leonid voltou para o Mato Grosso quando o avô adoeceu e nessa época acabou se relacionando com uma mulher e teve um filho. Atualmente ele estava desempregado e o último trabalho tinha sido como mecânico na cidade de Campos de Júlio (MT) e, segundo a irmã, se preparava para voltar para Tocantins.
Sobre a relação de Leonid com o islamismo, Zeina conta que o irmão se converteu enquanto estava preso por homicídio e roubo qualificado. Os crimes foram cometidos quando ele tinha 18 anos e ainda morava no Tocantins. Ele fugiu da prisão em uma saída temporária, foi recapturado e atualmente estava em liberdade condicional.
Ele foi condenado por homicídio, mas jura até hoje para gente que não cometeu. Envolveu sim com pessoas erradas e assalto, mas não com homicídio. O processo dele é todo falho e, inclusive, estou estudando para fazer uma revisão no processo dele. Eu me formei em Direito e pretendo revisar todo o processo dele que tem muito erro e falha, dispara a irmã.
Ainda segundo Zeina, a família não tinha detalhes sobre a proximidade do mecânico com o islamismo. Realmente ele se tornou muçulmano enquanto esteve preso, não sei como. Foi amparado pelos muçulmanos.
A irmã revela, ainda, que a família considera a prisão uma retaliação. Fomos pegos de surpresa e está sendo muito difícil lidar com tudo isso. Para a gente é uma tragédia o que está acontecendo, completa.
OPERAÇÃO
Mensagens de apoio aos últimos atentados do Estado Islâmico e tentativa de compra de armas entre brasileiros foram interceptadas, em redes sociais como Telegram e WhatsApp, pela Divisão de Antiterrorismo da Polícia Federal. O procedimento foi autorizado pela Justiça com base na Lei Antiterrorismo sancionada, em março, pela presidente afastada Dilma Rousseff.
Segundo o Ministério da Justiça, alguns dos investigados na operação chegaram a fazer juramento virtual ao grupo terrorista, mas não tiveram contato com membros do Estado Islâmico. As autoridades brasileiras classificam o grupo como célula absolutamente amadora.
Na quinta-feira, 10 suspeitos foram presos pela PF em 10 estados do país. Ontem, o 11º suspeito foi pego. Todos estão no presídio federal de Campo Grande.




