Policial
Com medo, guardas querem agilidade em cursos para trabalharem armados
Campo Grande foi a última capital da região Centro-Oeste a contar com uma força municipal de segurança armada.
Campo Grande News
13 de Julho de 2017 - 13:00
A ocorrência em que um homem acusado de tráfico morreu em confronto com policiais militares do Batalhão de Choque, na madrugada da última terça-feira (11), expôs o risco sofrido pela maioria dos guardas civis municipais de Campo Grande atuarem desarmados nas ruas da Capital. Atualmente, a média é de apenas um agente armado para cada 12 do efetivo total. Motivo de grande reclamação interna.
Na ocasião, após os guardas
flagrarem Pedro Gabriel Silva, 36 anos, e um comparsa, que segue foragido,
vendendo drogas na Praça Ary Coelho, na região central, deram início a uma
perseguição de quase seis quilômetros até em que os acusados atiraram ao menos
cinco vezes em direção da equipe da força municipal, que não tinha como revidar
e teve de pedir apoio da PM.
É um risco imenso. Ficamos expostos. Muitas vezes queremos ajudar mais a
população, mas ficamos reféns dos bandidos armados. Essa situação precisa ser
resolvida, assegurou um dos agentes, sem se identificar.
A Prefeitura promete resolver a questão, mas com calma. Atualmente, apenas 101
GCMs do efetivo total de cerca de 1.200 estão credenciados a atuarem armados.
Até o final do ano, mais 200 devem concluir o curso de
aperfeiçoamento feito na Polícia Civil do estado e também receberem armamento
para atuação ostensiva.
Nosso planejamento é que todos os guardas tenham igualdade de condições para
combater o crime, assegurou o prefeito Marquinhos Trad (PSD).
Na nota, o poder municipal ressalta que, quando necessário, (a Guarda Civil)
tem apoio da PM, principalmente em ações conjuntas, como foi o caso da
ocorrência citada, que terminou na Vila Taquarassu (zona sul).
Paiol Atualmente, a
Guarda Civil Municipal conta com um arsenal de 203 coletes à prova de balas,
275 revólveres de munição calibre ponto 38 e 25 armas para uso de munição
calibre ponto 12. O armamento foi adquirido junto à Polícia Militar ainda em
2016 e custou cerca de R$ 400 mil aos cofres municipais.
A atual gestão municipal admite que pretende ampliar o quadro de armamento da
corporação no próximo ano.
Ao Campo Grande News em abril, o atual secretário municipal de
Segurança e Justiça Social, Valério Azambuja, afirmara que a cautela para armar
todo o efetivo é necessária por conta dos cursos de especialização e
capacitação para uso do material bélico.
Não é só entregar um revólver a cada um. São necessárias todas as
certificações, em diversos métodos, atualizações, disse, na ocasião. O
secretário alertara que o recurso para o pagamento dos cursos e compra dos
novos armamentos viriam do Fundo Municipal de Segurança, projeto que está em
aprovação na Câmara Municipal e que estabeleceria uma cota fixa do orçamento
para a área.
Campo Grande foi a última capital da região Centro-Oeste a contar com uma força
municipal de segurança armada. Desde o Estatuto do Desarmamento, em 2003, a
Legislação prevê que apenas cidades com mais de 50 mil habitantes podem armar
suas corporações, desde que haja autorização concedida pela Polícia Federal.
A cidade só aprovou o início do curso de capacitação para armamento
de sua guarda em novembro de 2015. Há pelo menos oito anos a categoria pedia a
autorização para a atuação armada.
Atualmente, todas as capitais do país já contam com guardas armados ou projetos
aprovados para implantação do porte de arma obrigatório como equipamento de
serviço até 2019, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública.




