Policial
Delegada avalia chance de exumação de mortos após quimioterapia em MS
Ana Cláudia Medina está há dez dias investigando mortes de pacientes. Nesta sexta-feira, dono da clínica que fazia quimioterapia foi ouvido.
G1 MS
02 de Agosto de 2014 - 07:50
Há dez dias à frente das investigações sobre as mortes de três pacientes após quimioterapia na Santa Casa de Campo Grande, a delegada Ana Cláudia Medina, da 1ª Delegacia de Polícia Civil, diz que até o momento não há indícios de crime. Questionada sobre a possibilidade de pedir exumação dos corpos das vítimas, Ana Cláudia disse que a polícia vai analisar a necessidade.
"Não descarto, porém ainda não há vislumbrada essa possibilidade. Vamos avaliar se realmente é viável ou não a realização desse exame", afirmou. Enquanto isso, a delegada detalha o andamento do inquérito.
"Primeiro a gente precisa estabelecer um cenário, o que houve, aí a gente vai delinear um crime para ele, se houver. A intenção é saber o que aconteceu o mais rápido possível. Porém, a gente depende de questões técnicas ainda. Temos que levar em consideração que não há um exame necroscópico para apontar a causa mortis", explicou.
A falta do laudo necroscópico, segundo a delegada, obrigada a polícia a buscar outros meios técnicos para chegar a causa da morte das vítimas. "Temos que buscar isso para entender o que causou as mortes. Se foi realmente o medicamento, se não foi, e o que aconteceu neste momento", ressaltou Ana Cláudia.
Depoimentos
Até o momento, parentes das vítimas e funcionários do hospital prestaram depoimento
para a delegada. Na sexta-feira (1º), Ana Cláudia ouviu ainda o dono da clínica
que prestava serviços de oncologia para a Santa Casa, José Maria Ascenço, e o
médico que atuava no local Henrique Ascenço.
"Não tiveram condições de me dizer o que causou esses sintomas nas vítimas que foram a óbito. Eles eram os médicos que poderiam nos apontar o que aconteceu. Foram bastante colaborativos, deram bastante detalhes e também estão em busca de saber o que aconteceu", resumiu a delegada sobre o depoimento dos médicos.
Próximos passos
A delegada diz que a etapa das oitivas ainda precisa de depoimentos de outros
médicos e profissionais que atenderam as vítimas. Além disso, a polícia ainda
aguarda laudos técnicos e documentos oficiais para compor as investigações.
"O que a gente precisa de suma importância é o encaminhamento das documentações dos órgãos oficiais, Anvisa, comissão técnica, porque as oitivas têm avançado e agora a gente precisa fazer confronto com esses documentos. Então, há necessidade de que esses órgãos nos respondam om a brevidade que foi requisitado", explicou.
Casos
Carmem Insfran, Norotilde Greco e Maria Glória morreram entre os dias 10 e 12
de julho, depois de passarem por sessões de quimioterapia na Santa Casa, entre
os dias 24 e 28 de junho. As famílias das pacientes questionaram os
procedimentos do setor de oncologia depois das mortes.
Suspensão
Segundo a Santa Casa, após as mortes, os lotes dos medicamentos cinco
fluorouacil e ácido folínico, usados no tratamento das pacientes, foram
suspensos no hospital. Uma bioquímica já foi contratada para assumir o serviço
de manipulação dos remédios e deve começar a trabalhar nesta sexta-feira (1º).
No período de suspensão, o serviço foi feito no Hospital de Câncer.
Comissão de investigação
Uma comissão foi criada dentro do hospital para investigar as mortes. O grupo é
formado por médicos do hospital e por técnicos da Vigilância Sanitária
estadual.
Técnicos Anvisa
Entre os dias 21 e 25 de julho, quatro técnicos da Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa) estiveram na Santa Casa para investigar as
mortes.
Contrato suspenso
No dia 25, o presidente da Associação Beneficente de Campo Grande (ABCG),
mantenedora da Santa Casa, Wilson Teslenco, anunciou a suspensão do contrato
com a empresa responsável pela oncologia na unidade.
O Centro de Oncologia e Hematologia de Mato Grosso
do Sul era uma clínica terceirizada que atuava na Santa Casa há 13 anos. O
dono é o médico José Maria Ascenço. Com isso, a Santa Casa começou a montar a
nova estrutura para atender os pacientes com câncer, sob orientação da Anvisa,
e iniciou o processo de contratação dos profissionais que vão trabalhar no
setor.




