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Policial

Delegado aguarda depoimentos e laudos para saber se policial será indiciado

O servidor, que era amigo pessoal da vítima, teria efetuado os disparos e alguns, acabaram atingindo o advogado

Dourados News

05 de Novembro de 2014 - 14:37

O delegado do SIG (Serviço de Investigações Gerais) da Polícia Civil, Adilson Stiguivitis, disse que aguarda novos depoimentos e laudos periciais para saber se o policial federal que acompanhava o advogado Márcio Alexandre dos Santos, 37, no dia 25 de outubro, será indiciado por algum crime.

Márcio foi assassinado com oito tiros durante um assalto na rua Albino Torraca, região central de Dourados.

O servidor, que era amigo pessoal da vítima, teria efetuado os disparos e alguns, acabaram atingindo o advogado. Na noite de terça-feira (4), ele participou da reconstituição do caso.

“Por enquanto em liberdade [policial federal], mas é cedo ainda para eu dizer se ele vai responder por algum crime e por qual crime. O que nós temos e ficou claro nessa reconstituição é que ele acabou atingindo o advogado com os disparos. Faltam laudos e depoimentos e depois dessas provas coletadas, poderemos chegar a conclusão de um indiciamento ou não do policial”, disse Stiguivitis em entrevista logo após a reconstituição do caso.

Até agora são dois presos que participaram da ação, um deles identificado como Isaac, esteve presente na reconstituição. Já o assaltante responsável em levar a caminhonete até o Paraguai e o dono do veículo VW Gol que transportava os envolvidos, estão foragidos. Outras quatro pessoas que estavam com o grupo, mas não participaram do caso, também estão detidas.

A RECONSTITUIÇÃO

A movimentação na rua Albino Torraca, onde ocorreu o tiroteio que resultou na morte de Márcio Alexandre, teve início por volta das 22h. Em primeiro momento, o servidor público teve a sua versão reconstituída e logo em seguida foi a vez do acusado em participar do assalto apontar como aconteceu o caso.

Após observar atentamente às simulações, o delegado do SIG, Adilson Stiguivitis, afirmou que as situações tiveram divergências em suas apresentações, porém, segundo ele, o resultado da encenação foi bastante proveitoso, principalmente para esclarecer alguns fatores.

“A perícia técnica vai nos mostrar os levantamentos qual a versão que se aproxima mais da realidade. O assaltante se recorda bem de tudo o que aconteceu, já o policial se lembra em partes. Vamos recolher todas as provas possíveis e tentar localizar outros indivíduos para chegarmos a uma conclusão”, comentou.

A reconstituição dos fatos estava marcada inicialmente para acontecer na noite de segunda-feira, porém, Isaac passou mal e foi levado para o Hospital da Vida. No dia do óbito de Márcio, ele foi ferido durante o tiroteio.

O CASO

Na madrugada do ocorrido, conforme apurado até o momento nas investigações, Santos seguia na caminhonete de propriedade dele pela rua Albino Torraca, na região central da cidade, na companhia do policial federal.

Voltando de uma boate, em determinado momento os dois resolveram parar o carro para urinar, no cruzamento da Albino com a rua Ciro Melo. No entanto foram surpreendidos por assaltantes. O policial então teria dado início a uma troca de tiros com o grupo que tentava levar a caminhonete.

Santos, por sua vez, teria ficado no meio do tiroteio. Ele foi atingido por oito tiros e morreu no local. Os assaltantes fugiram levando a caminhonete e um deles, que ficou ferido a tiros, foi socorrido e levado para o Hospital da Vida, onde acabou preso. Já o policial federal, que não ficou ferido, fugiu do local e se apresentou à polícia horas depois, alegando que não sabia que tinha atingido o amigo e nem que ele tinha morrido.

A caminhonete do advogado foi roubada. De acordo com a polícia, o veículo teria sido levado para o Paraguai.

Na semana passada, o presidente da OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul), Júlio César de Souza Rodrigues, esteve em Dourados, onde cobrou imparcialidade e também agilidade no andamento do inquérito. Rodrigues, inclusive, classificou o caso como “muito estranho” pelas circunstâncias que envolveram a morte e também o fato do advogado ter sido atingido por oito disparos.