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Policial

Detento da Máxima da Capital alimenta Facebook por celular

JL News

10 de Julho de 2012 - 13:17

Erick Borges Junior, detido do Presídio de Segurança Máxima, mantém e alimenta sua página no Facebook através de celular, conforme informações recebidas pelo site JL News e jornal Liberdade MS.

A página que foi criada em 2 de julho, segunda-feira, um dia após o dia de visita, entre postagens comuns, cita “assassinar esta pessoa” e em outra postagem “Erick Borges começou uma nova amizade com o capeta e outros cinco demônios”. Na ‘informações’ de sua página, se diz Totalmente Ateu e de perfil político de Extrema Direita e informa o número do celular 9286-6699.

Uma tentativa anterior de conseguir um celular provocou a detenção de sua mãe, Rosangela Barbosa Borges, presa no dia 29 de abril de 2012, um domingo de visita, tentando entrar para a visita levando um telefone celular acondicionado dentro de um pacote de bolachas. Ao que tudo indica, na visita do domingo (1/7), o preso conseguiu seu intento.

Erick tem passagem por homicídio, e posse de armamentos e foi preso em 18 de outubro de 2011, na cidade de Campo Grande quando conduzia em um veículo, duas bananas de dinamite que seriam usadas para explodir caixas bancários. A polícia comprovou por investigação que ele esteve envolvido na tentativa de explosão dos caixas da agência do Banco HSBC da avenida Bandeirantes, nesta Capital.

O detento havia cometido homicídio durante o carnaval de 9 de março de 2011 contra Alan Alvaro dos Santos, esfaqueado por motivos fúteis na cidade de Cacoal (RO) e, durante investigações foi encontrada em sua residência naquela cidade, uma espingarda calibre 28, municiada.

Outros

Amigos do Face de Erick também aparecem em fotos feitas em pátios de prisão, e as páginas abastecidas de informação a partir de dispositivos móveis, como Lucas de Santo (de Ponta Porã), provável nome falso (assim como Erick grafou o seu como Erik para dificultar o reconhecimento), o que demonstra que existe uma rede de comunicações entre o sistema em Mato Grosso do Sul.

Insegurança

Um imenso queijo suíço, cheio de furos e que atrai ratos, seria uma imagem literária para o Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande. Detentos possuem celulares que permitem burlar o precário sistema prisional e lhes mantém em contato permanente com familiares, amigos, comparsas e incautos usuários das redes sociais. Fosse apenas o contato permanente com o mundo fora dos muros e já seria uma transgressão à pena, por permitir que informações circulem entre membros de quadrilhas que estejam encarcerados e outros que circulam na sociedade é absurdo e inadmissível.

Por mais que se discutam formas de bloqueio de sinal de celulares em presídio, o importante é focar que o sistema de encarceramento é falho e sua vigilância relegada a um médio controle. Há uma ideia entronizada pelo sistema que diz ser necessária certa complacência para que a imensa panela de pressão não exploda, e dessa forma o vínculo entre os marginais detidos e aqueles que ainda permanecem libertos está aberto. Que se tome por exemplo a cidade de São Paulo, com ações que vem sendo orquestradas contra a própria polícia, de dentro das prisões. O Facebook permite o acesso público ao mural, mas não às mensagens, que tem por caráter o sigilo. Quem recebeu um celular durante uma visita pode estar encomendando, neste momento, armas ou ordenando uma morte.

Página do Face (com informações descaracterizadas para segurança)