Policial
"É só uma criança, não tem maldade", diz mãe de Kauan sobre suspeita de estupro e morte
Garoto de 9 anos está desaparecido há um mês em MS. Adolescente confessou participação e apontou homem que foi preso e nega os crimes
G1 MS
25 de Julho de 2017 - 08:49
A dor da ausência e a angústia por falta de notícias tomam conta da vida de Janete dos Santos Andrade há um mês. Ela é mãe de Kauan, menino de 9 anos que está desaparecido desde o dia 25 de junho, em Campo Grande. Um homem de 38 anos está preso e é suspeito de ter estuprado e matado o garoto.
"Se ele fez isso, tem que pagar pelo que fez. Porque Kauan é só uma criança. Não tem maldade né, não fez mal pra ninguém", disse Janete em entrevista à TV Morena.
Manchas de sangue encontradas na casa do suspeito e relatos de um adolescente de 14 anos, apreendido após confessar participação nos crimes, ligam o suspeito preso ao sumiço e morte de Kauan. Material pornográfico foi apreendido na casa do homem.
A Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) acredita que o garoto tenha sido abusado, morto e jogado no rio Anhanduí.
Bombeiros fazem buscas pelo corpo desde a sexta-feira (21). Kauan teria morrido por asfixia ao tentar reagir durante o abuso sexual, segundo relatos do adolescente à polícia. Na segunda-feira (24), policiais voltaram à casa do suspeito em busca de vestígios e vistoriaram uma fossa séptica, mas nada foi encontrado no local.
Agora a polícia aguarda o resultado dos exames realizados nas manchas de sangue encontradas no colchão onde Kauan estava e ao redor da cama onde o menino teria morrido.
Segundo o adolescente, Kauan foi abordado quando estava com outras crianças perto da feira do bairro Coophavilla e teria sido levado para a casa do homem, onde foi amordaçado e teve as mãos seguradas enquanto era estuprado.
Os detalhes foram relatados por um adolescente de 14 anos, apreendido após confessar participação no crime, e correspondem a provas periciais encontradas na casa do suspeito.
O homem de 38 anos está preso desde sexta-feira (21) e nega os crimes. Ele se apresentava como professor para atrair as crianças, conforme a polícia. A prisão aconteceu depois da polícia encontrar material pornográfico na casa dele. A partir daí começaram as buscas pela criança.
Abordagem
Relatos de crianças no bairro apontaram que o suspeito se apresentava como professor e atraia os pequenos para a casa dele, onde oferecia dinheiro em troca de sexo, segundo relatos das vítimas à polícia. "Ele abordava as crianças e se dizia professor. Quem não confia em um professor? Um cidadão acima de qualquer suspeita", disse o delegado.
Os valores que o suspeito pagava aos pequenos variavam de R$ 5 a 30 e todas tinham o mesmo perfil: eram meninos e alguns cuidavam carros ou vendiam balas para ajudar a família. A polícia investiga ainda se outras três crianças foram vítimas de abuso sexual do suspeito.
O garoto sumiu no dia 25 de junho, depois de sair de casa para brincar no bairro Aero Rancho. O caso começou a ser investigado depois que a família registrou um boletim de ocorrência.




