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Policial

Em 2013 mais de dois mil alunos foram matriculados em escolas em presídios

O foco da agencia penitenciária de MS no avanço educacional e na profissionalização da massa carcerária, como forma de resgatar vidas desviadas pela criminalidade

Conjuntura online

13 de Janeiro de 2014 - 16:32

Dados da Divisão de Educação da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) apontam que em 2013 mais de dois mil alunos foram matriculados em escolas instaladas em 26 presídios de Mato Grosso do Sul.

Segundo a Escola Estadual Polo Regina Anffe Nunes Betine (responsável pelo ensino nos estabelecimentos prisionais), 140 reeducandos concluíram o ensino fundamental ou o médio, pelo Sistema EJA (Educação de Jovens e Adultos), um aumento de quase 13% com relação ao ano anterior.

Para este ano letivo está prevista a abertura de turmas para o oferecimento do ensino fundamental completo nas duas unidades fechadas de Ponta Porã e na Penitenciária de Naviraí, além da implantação do ensino médio no Estabelecimento Penal de Dois Irmãos do Buriti.

“Para a ampliação da oferta educacional, contamos com a colaboração dos responsáveis pelo Setor de Educação dessas quatro unidades prisionais, que realizaram o levantamento de escolaridade da população carcerária para estabelecimento de perfil escolar”, explica a chefe da Divisão de Educação da Agepen, Elaine Arima Xavier Castro.

Com relação à qualificação profissional, no ano passado foram capacitados 1.037 reeducandos, dos quais 553 por meio do Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego), estando alguns cursos ainda em andamento.

As capacitações são oferecidas em diferentes áreas como: maquiador, manicure, viveiricultor, horticultor orgânico, aplicador de revestimento em cerâmica, pedreiro de alvenaria, eletricista e instalador predial de baixa tensão, pizzaiolo, auxiliar de padaria e confeitaria, desenhista de moda, gesseiro e torneiro mecânico. Para este ano, já estão previstos 32 cursos oferecidos pelo Pronatec, com 477 vagas.

Enem

A participação no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) também é garantida em presídios de MS. Em 2013, 83% dos 993 inscritos realizaram as provas em 31 estabelecimentos prisionais da Agepen.

“Resultados já foram divulgados pelo INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) e os coordenadores de aplicação em cada unidade penal estão dando ciência dos resultados aos inscritos”, informa Elaine.

Segundo a chefe da Divisão de Educação da Agepen, os reeducandos que obtiveram média no Enem estão tendo a oportunidade de se inscrever no Sisu (Sistema de Seleção Unificada) e, posteriormente, ser autorizados judicialmente para a graduação superior.

Exemplos

O foco da agencia penitenciária de MS no avanço educacional e na profissionalização da massa carcerária, como forma de resgatar vidas desviadas pela criminalidade, se torna mais evidente quando os números se traduzem em exemplos reais como o do reeducando José Ronaldo Moura, 31 anos, do IPCG (Instituto Penal de Campo Grande), que concluiu o ensino médio no ano passado e agora sonha com a faculdade de engenharia de açúcar e álcool; preso há três anos, ele garante que o estudo “traz novas esperanças para recomeçar”.

Recomeço também desejado pela interna do presídio de São Gabriel do Oeste, Gilmara Batista, 38 anos, capacitada pelo Pronatec para atuar como manicura e pedicura, uma área que sempre sonhou em trabalhar. “Agora eu só quero reconstruir a minha vida e cuidar dos meus filhos”, garante a detenta.

Outro exemplo é o custodiado Orlando Carlos Ferreira Neto, de 37 anos, do Estabelecimento Penal de Paranaíba, que, após 12 anos longe dos bancos escolares, em 2013 conquistou, mesmo dentro do presídio, dois “diplomas”: um de conclusão do ensino fundamental e outro como profissional na área de construção civil.

Para ele, os certificados, inéditos em sua vida (já que nunca havia concluído curso algum), representam uma vitória: “Mudam totalmente o meu modo de pensar, de agir e de encarar o mundo”.