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Policial

Ex-presidente do Conselho de Odontologia está entre os presos em apuração de farra com diárias

Os gastos somente com diárias de quatro conselheiros, incluindo o presidente, Ailton Diogo Morilhas Rodrigues, somaram R$ 1 milhão em um ano.

Flávio Paes/Região News

15 de Junho de 2016 - 16:27

O presidente do Conselho Federal de Odontologia, Ailton Diogo Morilhas, que é de Campo Grande e foi presidente do Conselho Regional de Odontologia de Mato Grosso do Sul, foi um dos cinco presos na última terça-feira pela Polícia Federal, que em parceria com o Ministério Público Federal e o Tribunal de Contas da União, desencadeou a Operação Tiradentes, que apura fraudes na entidade autárquica federal, que podem ultrapassar os R$ 35 milhões.

A PF encontrou fortes indícios de que conselheiros e funcionários desviavam recursos públicos da entidade, cerca de R$ 5 milhões, além de pedir ressarcimento de despesas inexistentes, como pagamento indevido de diárias e contratação irregular de serviços. As investigações estimam que essas irregularidade causaram prejuízo de mais de R$ 30 milhões.

Os gastos somente com diárias de quatro conselheiros, incluindo o presidente, Ailton Diogo Morilhas Rodrigues, somaram R$ 1 milhão em um ano. Estas são algumas das denúncias, definidas como um "ataque aos cofres do Conselho", apresentadas por três ex-conselheiros, hoje na oposição, que ensejaram a "Operação Tirandentes".

Um dos responsáveis pela denúncia, o dentista cearense Benício Paiva Mesquita, disse que sofreu perseguições e ameaças depois de levar o assunto às autoridades. - O presidente do CFO disse que os três responsáveis responderiam eticamente. É deprimente saber que os dirigentes da nossa categoria estão presos. Mas isso está acontecendo em todo lugar.

Segundo as investigações, o CFO gastou R$ 800 mil para reformar uma sala de 93 metros quadrados no Rio. Os dirigentes da entidade recebiam diárias em dias incomuns, como 24 e 31 de dezembro, e de 50% a 70% dos sábados.

Na ação, feita em parceria com o Ministério Público Federal (MPF) e o Tribunal de Contas da União (TCU), participam 60 policiais federais e são cumpridos 5 mandados de prisão temporária e 15 mandados de busca e apreensão nos municípios do Rio, Niterói (RJ) e São Gonçalo (RJ); Manaus; Campo Grande (MS), Araguaína (TO), São Paulo e em Brasília. Os mandados foram expedidos pela 3ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

Na operação, a Polícia Federal apreendeu R$ 250 mil em dinheiro, em diversos endereços, além de seis carros de luxo.

O procurador da República Thiago Lemos informou que a prisão dos envolvidos é temporária, com prazo de cinco dias, renováveis por mais cinco. Segundo Lemos, o Ministério Público Federal ainda não ofereceu denúncia porque as investigações não foram concluídas. Depois que forem feitas novas diligências para o complemento das investigações, “o MPF terá condições de mover as ações cabíveis”.

Lemos disse que a primeira denúncia, em 2012, foi feita por um ex-funcionário e um ex-prestador de serviços do CFO ao MPF e ao TCU. Eles disseram que havia desvio de recursos por meio de notas frias, mas a investigação não avançou muito. Em 2014, três ex-conselheiros formularam nova representação reiterando as denúncias de pagamentos de diárias fictícias, que chamavam de “farras”, e que esse valor chegava a R$ 1 milhão.

No fim do ano passado, o TCU fez uma auditoria nas contas do Conselho Federal de Odontologia. De acordo com o secretário de Controle Externo da Saúde do TCU, Marcelo Chaves, a auditoria verificou “indícios de desvio de recursos por meio de pagamento de notas frias”. Com informações da Agência Brasil e de O Globo