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Policial

Ex-servidor foragido de operação em MS se apresenta à PF após cinco dias

Operação Máquinas de Lama investiga fraude em licitações e corrupção com dinheiro público e trata da 4ª fase da Lama Asfáltica.

G1 MS

15 de Maio de 2017 - 15:49

O ex-servidor da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul, na gestão de André Pulccinelli (PMDB), considerado foragido, Jodascil da Silva Lopes, se apresentou nesta segunda-feira (15), após cinco dias da deflagração da Operação Máquinas de Lama.

Segundo a assessoria de imprensa da PF, Lopes presta depoimento neste momneto na Superintendêmncia da PF, em Campo Grande. Em seguida, será recolhido em custódia preventiva, em cumprimento ao mandado expedido pela Justiça Federal.

O ex-servidor foi um dos três mandados de prisão expedidos para a 4ª fase da Operação Lama Asfáltica deflagrada no último dia 11 de maio. Também foram presos o ex-secretário adjunto de Fazenda do Estado da gestão passada, André Luiz Cance, e o empresário Mirched Jafar Júnior, dono da Gráfica Alvorada.

O alvo foi o ex-governador Puccinelli que está usando tornozeleira eletrônica e foi arbitrada fiança de R$ 1 milhão cujo prazo para pagamento termina hoje.

A operação é relacionada à fraude em licitações e corrupção com dinheiro público e é desdobramento de outras três, realizadas entre 2015 e 2016: Lama Asfáltica, Fazendas de Lama e Aviões de Lama.

A suspeita é que o prejuízo aos cofres públicos seja de R$ 150 milhões, somente com fraudes detectadas nesta 4ª fase de investigação de desvios de recursos destinados a serviços e compras públicas, entre eles de obras em rodovias e aquisição de livros.

Os investigadores acreditam que as empresas faziam parte do esquema para o pagamento de propina e até mesmo para esquentar dinheiro que era desviado dos cofres públicos.

Dentre os alvos da operação estão o grupo JBS, a Águas Guariroba, concessionária de água e esgoto de Campo Grande, a HBR Medical, que fornece programas de computador para clínicas e hospitais e a H2L, especializada em soluções para documentos.

De acordo com as investigações, as empresas atuavam em várias áreas. Nas sedes e unidades de cada uma, a PF apreendeu documentos e materiais. A suspeita é de que elas seriam beneficiadas com licitações fraudulentas, empregos de materiais de baixa qualidade, aumento de preços nas obras e isenção de impostos.

Ainda de acordo com a PF, investigações revelaram que a fraude em licitações e superfaturamento de obras eram feitas com documentos falsos para justificar a continuidade e o aditamento de contratos, com a conivência de servidores públicos, e para obtenção de benefícios e isenções fiscais.

Os valores repassados como propina eram justificados, principalmente, com o aluguel de máquinas. Daí o nome da operação.

Outras operações

A primeira operação da PF sobre desvio de dinheiro público em gestões anteriores do governo do Estado foi deflagrada em 9 de julho de 2015. A ação apurava fraude em obras públicas. Em uma delas, grama que deveria ser plantada ao longo de três rodovias era substituída por capim. Todos os investigados negaram as acusações.

Em 10 de maio de 2016 a segunda fase da investigação: a operação Fazendas de Lama. Esta foi a primeira vez que a PF esteve na casa do ex-governador André Puccinelli. Investigação da PF, CGU e Receita indicaram que o dinheiro obtido com corrupção foi usado para compra de fazendas, daí o nome da ação.

Em julho de 2016 CGU, Receita e PF deflagraram a terceira fase da operação: a Aviões de Lama. Apurações apontaram que os investigados sobre corrupção estavam revendendo bens de alto valor e dividindo o dinheiro com diversas pessoas, com objetivo de ocultar a origem.