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Policial

Execução filmada pode ter tido motivação passional, sugere defesa

O rapaz foi morto com tiros na cabeça, teve os braços quase decepados, foi degolado e depois jogado perto da cachoeira

Correio do Estado

21 de Fevereiro de 2017 - 14:49

A guerra entre facções criminosas pode não ter sido fator determinante na execução de Richard Alexandre Lianho, de 25 anos, encontrado morto na quarta-feira da semana passada, nas imediações da cachoeira “Céuzinho”, em Campo Grande. A suspeita é de que a vítima tenha sido morta porque se relacionava com a ex-namorada de um integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC). O rapaz foi morto com tiros na cabeça, teve os braços quase decepados, foi degolado e depois jogado perto da cachoeira. Os três envolvidos no crime filmaram tudo e foram identificados.

Segundo a defesa da família, Richard tinha passagens pela polícia, mas não recebia ameaças de morte e tentava seguir a vida trabalhando como auxiliar de serviços gerais, assim como a mãe. Na ficha dele constam delitos de violência doméstica e estupro de vulnerável (engravidou uma menor de idade), ainda quando adolescente, e tentativa de estupro e furto, sendo estes depois de adulto. “A família sabe do passado dele, mas não consegue compreender muito bem o que aconteceu, principalmente por causa da crueldade com que ele foi morto e porque não havia vestígios de ameaça”, explicou a advogada Fábia Favaro.

Abalados, os quatro irmãos dele preferem não entrar em detalhes, mas acreditam que o envolvimento de Richard com a garota pode ter lhe custado a vida. Isso porque, além de ela ser ex-namorada de um membro do PCC, existe a hipótese de que a vítima fosse adepta do grupo rival Comando Vermelho (CV), o que, mesmo não sendo a principal razão, pode ter potencializado o ciúme e o sentimento de vingança por parte dos autores.

“Richard nunca falou sobre envolvimento com o crime organizado. Imaginamos que ele possa ter se filiado enquanto esteve preso, como forma de garantir proteção e ter acesso a benefícios dentro do presídio. Não há indícios de que fosse membro atuante [do CV]”, disse.

Na filmagem da execução é possível ouvir o seguinte alerta dado pela vítima já subjugada, esperando para morre: “para todo mundo, todo o CV que está em Campo Grande, na penitenciária aí, na rua, pra sair tudo jogado, o que está acontecendo pode acontecer com você também”, disse. “É isso que acontece com o CV, na nossa quebrada, aqui é Mato Grosso do Sul”, diz um dos assassinos. Em seguida, os autores, supostamente ligados ao PCC, iniciam a execução.

O caso foi descoberto depois que a polícia apreendeu o celular de um adolescente e encontrou as imagens. Ele confessou o crime e apontou o envolvimento de outras duas pessoas. Apesar de a família não acreditar, ao menos por enquanto, na guerra entre grupos do crime organizado, o crime mostra que a disputa realizada pelas facções dentro do presídio refletem no desencadear da criminalidade nas ruas.