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Policial

"Falso sequestro" foi, na verdade, treinamento de empresa de segurança

Algumas pessoas que estavam no local garantem que houve disparos de arma de fogo. Muitas cápsulas deflagradas foram encontradas no chão

Correio do Estado

11 de Maio de 2016 - 14:15

Depois de falso sequestro anunciado na noite de segunda-feira (9), moradores da Rua Porto Carrero, em Corumbá, ficaram assustados. A princípio a informação era de que empresa de segurança e transporte de valores, Brinks, estava sendo assaltada.

Moradores da região e população que transitava pelo local se assustaram com o barulho de tiros e a movimentação da polícia. O suposto sequestro teve grande repercussão nas redes sociais. Áudios e vídeos também foram compartilhados pelo Whatsapp.

Depois de todo alvoroço formado, a Polícia Militar informou que tudo não passou de um treinamento da empresa, previamente “oficiado e coordenado”, segundo o Diário Online.

Porém, quem mora na região garantiu que não foi informado sobre a ação. Muitos policiais também afirmaram que não estavam sabendo do treinamento e acharam que se tratava de roubo.

Algumas pessoas que estavam no local garantem que houve disparos de arma de fogo. Muitas cápsulas deflagradas foram encontradas no chão. Nas paredes do prédio da Brinks havia marcas de tiros.

O Comando da PM informou que esse tipo de treinamento “é bem próximo da realidade” para que não só os funcionários da empresa, mas a própria polícia, tenham um “tempo de resposta” caso ocorra, de verdade, uma situação de roubo.

Quem esteve envolvido no treinamento vai avaliar os reflexos da ação, como falha na comunicação aos moradores e entre as próprias polícias.

RECONHECIMENTO

O Comando do 6º Batalhão da Polícia Militar admitiu ter havido falha no treinamento. Segundo o comandante tenente-coronel César Freitas Duarte, procedimento administrativo já foi aberto para apurar os motivos dos disparos. Apesar do susto ninguém ficou ferido.

“Alguns policiais fizeram tiros inadvertidos. Determinei a abertura de um procedimento administrativo para apurar esses tiros na fachada do prédio. Vamos apurar se esses policiais não tinham conhecimento do treinamento. Se deram tiro inadvertido motivando que outros o fizessem. Chamei o pessoal da Brinks e eles informaram ter usado granadas de som para dar realidade ao treinamento. A investigação vai apurar se eles [policiais] não sabiam”, explicou o comandante da PM corumbaense.

Conforme o comandante o procedimento interno dura, em média, 60 dias. O treinamento havia sido comunicado na semana passada pela transportadora de valores. “O treinamento foi previsto na sexta-feira (6), a Brinks veio aqui e avisou. (...) Houve muitas chamadas ao 190, pois achavam que se tratava de um evento real, mas na verdade, era um treinamento”, disse enfatizando que a ação era uma simulação.

Toda a ação simulada tinha o objetivo de avaliar como se daria o tempo resposta da PM ao comunicado; o cerco ao prédio – que supostamente estaria tomado por assaltantes –; simulação de negociação até a rendição dos falsos bandidos. Mas, houve a falha reconhecida pela Polícia Militar.

“Não sei por que cargas d’água alguém atirou. Se escutaram barulho de tiro e alguns fizeram os disparos, ou se de fato houve algum disparo nas imediações, e isso não é difícil em Corumbá e de certo acharam que vinha do prédio”, complementou o tenente-coronel Freitas, informando que equipes do DOF também integraram a ação simulada.

Reconhecida a falha, o Comando do 6º Batalhão disse ter questionado a Brinks pela ausência de comunicação à vizinhança a respeito da realização da simulação. “Questionei a empresa que deveria haver essa comunicação e ficaram de contactar a sede, em São Paulo, para dar resposta. Concordo que deveria ter. Mas, não posso questionar o procedimento deles. Imagino que era para ter informado que teria um treinamento naquele dia. Eu não tive conhecimento [da informação aos moradores]”, argumentou.

ALVO EM 2012

A mesma empresa de segurança e transporte de valores foi alvo de uma tentativa de assalto no dia 14 de novembro de 2012. Na época, dois bandidos armados entraram no prédio e fizeram um vigia refém.

A Polícia Militar cercou os assaltantes, que seriam de São Paulo e Minas Gerais. Somente depois de cinco horas de negociação, os bandidos se renderam. Com eles, foram encontrados cinco pistolas 9 milímetros, um revólver 357, um fuzil 762 e em torno de 1.500 munições de vários calibres.