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Policial

Gravação mostra prefeito negociando menina com secretário no AM

As denúncias contra Pinheiro mostram que o prefeito responde a 70 processos na Justiça do Amazonas

Terra

27 de Janeiro de 2014 - 00:04

Uma gravação de agosto de 2007 revelada pelo Fantástico mostra uma conversa do prefeito de Coari (AM), Adail Pinheiro, com o então secretário de Administração Adriano Salan, que supostamente oferece uma menina para o prefeito. Pinheiro é acusado de comandar uma rede de exploração sexual de crianças e adolescentes e de que abusou sexualmente de meninas da cidade.

"Meu irmão, mas é um bebê, chefe. Que sorriso lindo, branquinho, branquinho, gengiva vermelhinha, cabelão", diz o secretário na gravação feita pela Polícia Federal. "Ai, meu Deus, traga", responde o prefeito. "Teu número, parceiro. Teu número, vou levar aí", diz o secretário depois.

Em 2009, Adail Pinheiro foi preso pela Polícia Federal após ter sido denunciado pelo Ministério Público do Amazonas por exploração sexual infanto-juvenil e favorecimento à prostituição. As denúncias contra Pinheiro voltaram à tona depois de o programa Fantástico exibir reportagem na qual apresentou denúncias de que ele comanda uma rede de exploração sexual de crianças e adolescentes e de que abusou sexualmente de meninas da cidade. O prefeito negou as acusações e disse que as denúncias são mentirosas.

As denúncias contra Pinheiro mostram que o prefeito responde a 70 processos na Justiça do Amazonas. Apesar da quantidade e gravidade das denúncias, os processos em que Pinheiro figura como réu estariam parados, à espera de julgamento, suscitando a hipótese de ele estar sendo beneficiado por juízes.

O ex-secretário Adriano Salan é apontado pela polícia como um dos responsáveis por atrasar os processos. Ele é oficial de Justiça, mas foi exonerado na segunda-feira, depois da exibição da reportagem do Fantástico.

Desde 2010, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) puniu quatro juízes e investigou mais três – que terminaram inocentados – por relações irregulares com o prefeito de Coari.

Dois dos magistrados foram aposentados compulsoriamente por atuar em benefício da prefeitura de Coari, que disputava com a capital amazonense o repasse da arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre a exploração de petróleo e gás natural em Coari. A atividade petrolífera fez do município o segundo mais rico do Amazonas.