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Policial

Irmãos de MS chefiavam bando que vendia droga boliviana em SP, diz PF

Droga entrava de avião no país e depois era escoada com caminhões. Operação Nevada mobilizou 168 policiais em três estados nesta quinta

G1 MS

09 de Junho de 2016 - 14:05

Três irmãos de Mato Grosso do Sul eram os chefes da quadrilha que trazia cocaína da Bolívia para vender em São Paulo, segundo informações da Polícia Federal (PF). A organização criminosa, que contava ainda entre as lideranças com um testa de ferro, que ficava em Campo Grande.

Esse testa de ferro era encarregado de fazer a lavagem do dinheiro do tráfico, e um homem que fazia a comercialização da droga em São Paulo, foi desarticulada nesta quinta-feira (9), na Operação Nevada, da PF.

A ação mobilizou 168 policiais federais. Eles cumpriram 17 mandados de prisão preventiva, de um total de 20 expedidos pela Justiça Federal, 7 mandados de condução coercitiva e 31 mandados de busca e apreensão, além de 47 mandados de sequestro de veículos.

A ação foi realizada simultaneamente em Campo Grande, Bonito e Bodoquena, em Mato Grosso do Sul, em Rondonópolis, no Mato Grosso e em São Paulo, Guarulhos, Suzano, São Bernardo do Campo e no Guarujá, em São Paulo.

Segundo o delegado regional de Combate ao Crime Organizado da Superintendência da Polícia Federal do estado, Cléo Mazzotti, a quadrilha comprava cocaína na Bolívia e a droga era transportada até Porto Murtinho, na região de fronteira de Mato Grosso do Sul, de avião.

O entorpecente era jogado na zona rural do município, onde integrantes da quadrilha o recolhiam. Depois, a droga era levada em caminhonetes e caminhões por estradas vicinais até fazendas em Bonito e Bodoquena, onde ficava armazenada, sendo depois escoada novamente com o uso de caminhonetes e caminhões com fundos falsos, para o estado de São Paulo.

Lavagem de dinheiro

O dinheiro do tráfico era lavado pelo testa de ferro da quadrilha, por meio de uma garagem de veículos em Campo Grande, com a compra de imóveis e com o uso de laranjas. Mazzotti comenta o homem encarregado da lavagem possuía uma renda alegada em razão de sua empresa de R$ 6,5 mil, mas em um período de quatro anos, entre 2010 e 2014, movimentou R$ 14 milhões.

A vida luxuosa do homem encarregado de fazer a lavagem do dinheiro, foi, conforme o delegado, uma das causas do início da investigação.

Ele explica que o suspeito além de promover constantemente festas em sua casa, um imóvel de alto padrão no bairro Chácara Cachoeira, em Campo Grande, ainda ostentava o uso de veículos de luxo, alguns avaliados em até R$ 600 mil.

O nome da operação, Nevada, inclusive, foi escolhido porque fazia referência a rua onde o suspeito de ser o testa de ferro mora em Campo Grande, a rua Serra Nevada. Entre os alvos da ação nesta quinta-feira, inclusive, estiveram a própria casa do suspeito e a garagem, onde foram apreendidos alguns veículos de luxo. Em outros locais foram apreendidas carretas que eram usadas no transporte da droga.

Na casa do suspeito os policiais encontraram armas, munição, dinheiro e drogas. Eles precisaram até usar uma marreta para fazer um buraco em uma fossa onde tinha sido jogado um telefone celular.

Investigação

Pelo alto grau de organização da quadrilha, a Polícia Federal suspeita, conforme o chefe da delegacia de Repressão a Entorpecentes da unidade, Fabrício Martins Rocha, que o grupo vinha agindo no estado desde 2011.

A investigação sobre a organização criminosa começou em 2014 e neste período já resultou em prisões em flagrante com a apreensão de 778 quilos de cocaína, US$ 2,2 milhões, R$ 38 mil, 1 pistola calibre 9 milímetros, 2 revólveres, 1 fuzil 5,56 milímetros e munições de diversos calibres.

O delegado regional de Combate ao Crime Organizado explica que operações como a realizada nesta quinta-feira têm como objetivo principal promover a desarticulação econômica das quadrilhas, além da prisão dos suspeitos e de material ilícito, porque isso dificulta o retorno das operações destes grupos criminosos.

Ele ressaltou ainda que em razão do tamanho da operação da organização criminosa, a PF federal levou 23 meses para concluir as investigações, de modo que mapeasse desde como funcionava a entrada de droga no país, a comercialização e como o dinheiro era lavado.

Os suspeitos presos nesta quinta serão indiciados por crimes como organização criminosa, tráfico de drogas e lavagem de ativos.