Policial
Jovem teria vida ""bancada"" por esteticista e em troca daria filha recém-nascida
No decorrer da investigação, descobriu-se também que há dois meses, antes de conhecer a esteticista, a jovem morava no Bairro Tiradentes.
Correio do Estado
22 de Março de 2017 - 15:08
Depois de carregar a filha durante nove meses no ventre, passar por dificuldades comuns em gestações e sofrer dores do parto, jovem, de 27 anos, tinha intenção de se desfazer da recém-nascida. Em troca, teria a ''vida bancada''. De um lado a auxiliar de serviços gerais e do outro uma esteticista, de 37 anos, que estava disposta a gastar o que fosse necessário para adotar de maneira ilegal a criança.
O plano entre as duas moradoras de Campo Grande, que estava prestes a ser colocado em prática, chegou ao conhecimento da polícia quando a menina ainda estava na maternidade onde nasceu, na madrugada entre sábado (18) e domingo (19).
Em entrevista à reportagem, a delegada Marília Brito, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), comentou que soube do caso na segunda-feira, um dia depois do nascimento da menina.
Na maternidade, encontramos a esteticista que, por meio de denúncia, soubemos que receberia a recém-nascida. Ela estava como acompanhante da jovem. Em conversa com as duas, descobrimos que elas se conheciam há apenas dois meses. Essa informação nos chamou atenção. Afinal, esse é um momento íntimo em que as mulheres querem alguém da família por perto. Não uma pessoa que recém conheceu, comentou a autoridade policial.
MAIS INDÍCIOS
Ainda na segunda-feira, a jovem recebeu alta médica e foi encaminhada, juntamente com a esteticista, à delegacia para formalização dos depoimentos. Enquanto eram interrogadas, policiais foram até a casa de ambas e mais indícios surgiram de que a criança, realmente, seria negociada. Na casa da mãe não encontramos nada de gestante. Não havia móveis, nem roupas para a criança. Já na residência da esteticista tinha berço, enxoval, banheira, citou a delegada Marília.
No decorrer da investigação, descobriu-se também que há dois meses, antes de conhecer a esteticista, a jovem morava no Bairro Tiradentes. Depois, mudou-se para perto da mulher que supostamente entregaria a filha, no Coophatrabalho. Ao que tudo indica não haveria pagamento em dinheiro. Essa mudança teria sido paga pela esteticista, o aluguel que é bem mais caro que o da casa onde a jovem morava seria pago por essa mulher, assim como algumas contas particulares da mãe já tinham sido pagas. Portanto, a suspeita é que a recém-nascida seria trocada por benefícios, complementou Marília.
NEGARAM
Inicialmente, as duas negaram a intenção em negociar a menina, mas depois a jovem confessou que ''daria'' a filha para ser cuidada pela esteticista. A jovem tem um filho de quatro anos e, apesar de simples, não aparentava viver em más condições financeiras. Estamos investigando como de fato seria toda essa negociação, pontuou a delegada.
Amigo em comum é que intermediou a amizade entre as duas mulheres e negou que soubesse da intenção entre elas. Disse que apresentou elas porque a jovem reclamava que não teria como criar a filha e a outra mulher manifestou-se querendo ajudar. Porém, segundo ele, não sabia da entrega da menina, argumentou Marília.
A menina seria filha de um homem com quem a jovem teve relação somente uma noite. Segundo a autoridade policial, a jovem tem convivente, mas não foi comprovado ele ter sido conivente ao crime de prometer ou efetivar a entrega de filho ou pupilo a terceiro, mediante paga ou recompensa, pelo qual as duas foram indiciadas. Ambas respondem ao processo em liberdade. Se condenadas, poderão pegar de um a quatro anos de prisão, além de terem de pagar multa.




