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Policial

Livro ‘bomba’ escrito por servidor acusado de pedofilia será usado em defesa

A dedicatória é para o pai, que teria renegado Silva por ele ser homossexual e também portador do vírus

Dourados News

29 de Outubro de 2014 - 15:43

Um livro de autoria de Jeferson Porto da Silva, 33, servidor municipal acusado de seduzir e manter relações sexuais com centenas de adolescentes será um dos argumentos utilizado na estratégia da defesa dele.

O site obteve a informação sobre a existência do livro, que foi confirmada por uma das advogadas do servidor, Sebastiana Roque Ribeiro. O título ‘Amei um homem negativo e hoje sou um jovem soropositivo’ possui três exemplares impressos, um deles de posse da defesa e os demais em posse de familiares.

No livro, que seria uma produção de 12 anos atrás, Silva relata o relacionamento de um ano e meio que teve com um homem pelo qual foi apaixonado e que teria sido quem transmitiu HIV para ele, que é soropositivo. A dedicatória é para o pai, que teria renegado Silva por ele ser homossexual e também portador do vírus.

“É a narrativa da decepção e da angústia que ele teve na vida ao ter sido enganado por essa pessoa que só contou que era soropositivo depois que foi preso e enviou uma carta para ele. O Jeferson era apaixonado e acabou desenvolvendo um trauma emocional muito grande. Começou a ser discriminado na vida, na família e no trabalho por ser homossexual e ter HIV. Esse livro vai ser citado na defesa para expor que ele não é esse monstro que a polícia está acusando”.

Ainda sobre o livro, Silva menciona apenas o primeiro nome do ex-namorado que transmitiu a ele o vírus HIV e relata os relacionamentos que teve. A advogada do servidor negou informação obtida pela reportagem de que neste exemplar estariam expostos nomes de casos que o servidor manteve com vários homens casados da cidade.

“Esses relacionamentos existiram, ele se relacionou com muitas pessoas, mas não tem nada exposto não. Isso não está no livro e não será colocado na defesa dele. Vamos omitir até para preservar a própria segurança dele, porque já observamos muita gente preocupada em ter essa relação que mantinha em segredo exposta e é claro que iam querer calar ele”.

“Não tem nenhuma vítima santinha”

Ainda sobre a estratégia de defesa do servidor, Sebastiana contestou o conceito de “vítimas do Jeferson” que foi apontado pela polícia nas investigações que duraram dois meses e que foram iniciadas após a denúncia da mãe de um adolescente que flagrou conversas de Silva com o filho por meio de uma rede social.

De acordo com a advogada, Silva “não é um monstro” e sim “alguém que já sofreu muito”. Além disso, ela destacou que o servidor concursado que trabalha há mais de 14 anos na Prefeitura de Dourados era “dominado” pelos menores, que “faziam ele de gato e sapato”.

“Ele nunca estuprou ninguém, o Jeferson é passivo. Não tem nenhum santinho entre esses menores. Os meninos que saíam com ele se envolviam também com travestis e temos prova disso com as conversas do facebook. Quando ele não saía com eles, os garotos diziam que iam sair com a fulana travesti que também iria pagar. Os próprios menores falavam para ele claramente”, finalizou Sebastiana.

O caso

Jeferson Porto da Silva, 33, trabalhava na secretaria de administração da prefeitura de Dourados. Após dois meses de investigação, ele acabou preso acusado de aliciar centenas de menores de idade e incentivá-los à prostituição. Ele está preso desde o dia 19 deste mês.

Conforme apontado pela Polícia Civil, ele utilizava um perfil falso no facebook e também no aplicativo de conversas para celular ‘whats app’, onde por várias vezes se passou por uma mulher chamada ‘Jéssika Alessandra’.

Após atrair os adolescentes com faixa etária entre 14 e 16 anos, com o uso desse perfil falso ou até mesmo usando o próprio perfil, ele marcava encontros noturnos na casa dele, onde morava com a mãe idosa.

Quando chegavam lá, ainda de acordo com as informações divulgadas pela polícia, os adolescentes então eram convencidos pelo servidor municipal a manter relações sexuais com ele mediante pagamento de R$ 30. Computadores e celular de Silva foram apreendidos. mais de 20 menores foram ouvidos no inquérito policial.

Portador de HIV, ele ainda falsificou um exame clínico para convencer menores que questionavam ele sobre o uso de camisinha de que não tinha o vírus. No entanto, essa informação é contestada pela defesa, que disse que ele falsificou o documento porque era vítima de preconceito.

Silva vai responder por favorecimento à prostituição infantil, pedofilia, estupro de vulnerável, perigo de contágio venéreo e falsificação de documento particular.