Policial
Mãe de bebê com sinais de violência e abuso defende marido
Bebê de 1 ano deu entrada na Santa Casa de Campo Grande em estado grave. O casal foi preso são investigados por maus-tratos, estupro de vulnerável, lesão corporal e omissão de socorro.
G1 MS
30 de Abril de 2026 - 07:33

Um bebê de 1 ano e 8 meses foi acolhido pelo Estado após dar entrada na Santa Casa de Campo Grande com sinais de agressão grave e indícios de violência sexual, nessa terça-feira (28). O hospital acionou o Conselho Tutelar da Região Norte. A mãe e o padrasto foram presos e seguem sob investigação.
Segundo a conselheira tutelar Suellen Gomes, a equipe começou a apurar o caso assim que recebeu a denúncia. Ela afirmou que não havia registros anteriores de acompanhamento da família no Conselho Tutelar.
Durante o atendimento, a conselheira disse que a mãe afirmou que a criança caiu e bateu a cabeça na parte da frente. Sobre as outras lesões, a mulher disse que não sabia explicar. Ela também negou que o marido tenha agredido o bebê.
"Olha, meu marido não fez nada com a criança, eu posso garantir, eu coloco a mão no fogo por ele que isso não aconteceu”, disse ela, ainda no hospital com o filho.
A mãe e o padrasto continuam presos e são investigados por maus-tratos, estupro de vulnerável, lesão corporal e omissão de socorro
Versões da mãe levantaram preocupação
Ao ser questionada sobre as lesões, a mãe disse que a criança era bem cuidada. Ela afirmou ainda que o bebê não estava frequentando o projeto por estar gripado.
Suellen disse que perguntou se a mãe levou a criança ao médico por causa da gripe. A mulher respondeu que sim. No entanto, após a conselheira afirmar que todo atendimento fica registrado, a mãe mudou parte da versão.
"Ela relatou então: 'não, eu só fiquei na triagem. Fiquei na triagem, depois da triagem eu fui embora, porque estava muito cheio, então eu acabei não passando pro atendimento'", contou a conselheira.
Segundo a conselheira, as respostas foram vagas e apresentavam omissões. “As informações não batiam. Isso nos deixou preocupados.”
Criança ficava sob cuidados do padrasto
A mãe afirmou que trabalha e que, durante esse período, o bebê ficava sob os cuidados do padrasto. Segundo ela, o casal organizava os horários para que sempre houvesse um adulto com a criança.
Ao ser questionada sobre a possibilidade de agressão, ela negou qualquer envolvimento dela ou do companheiro e afirmou confiar no marido. Questionada sobre quem poderia ter causado as lesões, respondeu que não sabia.
Falhas no acompanhamento de saúde
Em diligências posteriores, o Conselho Tutelar constatou que a criança não tinha acompanhamento regular de saúde. A vacinação pendente só foi atualizada em janeiro de 2026, quando o bebê foi inscrito no projeto.
Segundo a apuração, não havia registros frequentes de consultas médicas, o que aumentou a preocupação da equipe.
Acolhimento institucional
Diante da situação, o Conselho Tutelar comunicou o caso ao Ministério Público. A decisão foi pelo acolhimento institucional imediato. Atualmente, a criança está sob tutela do Estado.
O conselho também explica que os vizinhos tinham conhecimento da violência que a criança sofria, mas não denunciaram. “Essa criança realmente sofria maus-tratos, mas eu não denunciei porque não tinha provas”, disse o vizinho à polícia.




