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Policial

Máfia da CNH usava Correios de MS e MT para esquema criminoso

Douradosagora

12 de Abril de 2013 - 10:51


A Máfia da CNH utilizava os serviços dos Correios de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso para fraudes na emissão de Carteira Nacional de Habilitação.

O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual(MPE), identificou pelo menos 50 motoristas que estariam dirigindo com documento fraudado.

Um deles, preso por embriaguez, tinha procurado a quadrilha desarticulada durante a Operação Risco Duplo, para renovar a CNH e, inclusive, mudar a categoria a fim de conduzir veículos pesados.

De acordo com o Gaeco, além de CNHs falsas, também foram expedidos certificados de cursos para a condução de cargas perigosas e de passageiros. Os documentos eram falsificados em autoescolas fantasmas. Os documentos trazem erros na somatória de horas de cursos, de grafia, diferentes informações sobre uma mesma pessoa, entre outros.

A Operação Risco Duplo, deflagrada pelo Ministério Público com aparato policial, desmantelou quadrilha em municípios de Mato Grosso do Sul.

Segundo o promotor Marcos Alex Vera, do Gaeco, que também apontou envolvimento de douradenses na Máfia da CNH, os presos repassaram nomes dos servidores do Detran (Departamento Estadual de Trânsito), do Estado e também do Mato Grosso, que contribuíam com a quadrilha no sentido de fornecer papéis-moeda para a emissão da CNH e repassar notas de pessoas que sequer compareceram ao órgão para realizar exames teóricos e práticos.

“Nós não vamos citar nomes para não atrapalhar no andamento das investigações, mas existem, inclusive, indícios do envolvimento de servidores com cargo de chefia. Dos presos, seis tinham contatos com o Detran da Capital e outros dois com o órgão do Mato Grosso”, afirma o promotor de Justiça Marcos Alex Vera.

Sobre a colaboração dos suspeitos, o promotor explica que eles estão ‘declinando de forma pontual todo o esquema fraudulento’ e por isso podem até ter a prisão revogada. Por enquanto, permanecerão na 3ª Delegacia de Polícia e Defurv (Delegacia Especializada de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos).

A descoberta do esquema ilícito, de acordo com o promotor, teve início no dia 30 de outubro de 2012, quando seis CNHs falsas foram apreendidas em Rio Brilhante, Dourados e Campo Grande.

“Eles não tiveram medo algum de falar do negócio, inclusive com os nossos agentes que se infiltraram e descobriram com facilidade o esquema. A partir daí, obtivemos a prova de 50 CNHs falsas, mas acreditamos no mínimo a emissão de 500 documentos, entre habilitações e certificados de cursos”, avalia Alex.

Com o certificado para dirigir caminhões de carga perigosa, por exemplo, algo exigido para a contratação de motoristas para usinas de álcool, muitos conseguiram o emprego sem treinamento.

Eles vendiam as carteiras no valor de R$ 1,5 a R$ 3 mil. Já o certificado de cursos era vendido no valor de R$ 400, contabilizando uma estimativa de movimentação financeira na ordem de R$ 500 mil.

“Em Nioaque, achamos pelo menos 15 condutores envolvidos no esquema. Com o curso comprado, eles dirigiam nas rodovias transportando combustíveis, grandes cargas tóxicas e até crianças, naqueles casos de emissão de CNH para transporte escolar”, disse o promotor Marcos Alex.

Nos outros municípios, sabe-se que até sitiantes e analfabetos tiraram carteiras de motorista. São pessoas de Bonito, Vicentina, Fátima do Sul, Dourados e Campo Grande.

“O papel utilizado por eles era ‘quente’, ou seja, original. A princípio, as informações também eram corretas, como a foto do motorista, o RG, o CPF e até mesmo o número do espelho. O que comprova a fraude é o número do registro do documento, que, quando consultado no Denatran, não dava em número algum e percebíamos que a CNH era falsa”, afirma o inspetor da PRF, José Ramão Mariano Filho.