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Policial

Motorista de racha recebe nova pena ao descumprir condenação

O juiz do caso, Aluizio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, voltou a analisar a ação e reformulou a sentença do condutor do Uno, endurecendo a pena

Correio do Estado

01 de Março de 2016 - 16:05

Ao descumprir determinação judicial de acompanhar os Bombeiros em atendimentos de ocorrência de acidentes aos sábados, Willian Jhony de Souza Ferreira, 30 anos, recebeu reformulação de sentença e precisa cumprir dois anos de prisão, além de ter perdido o direito de dirigir por dois anos.

A sentença refere-se à participação dele em "racha" realizado em 2010, que resultou na morte de Mayana Almeida Duarte, na época com 23 anos.

Ela cruzava a Rua José Antônio com a Avenida Afonso Pena e foi atingida por Vectra que era dirigido por Anderson de Souza Moreno, que hoje tem 24 anos e cumpre pena de 18 anos e nove meses em regime fechado.

Willian Jhony de Souza Ferreira estava em um Uno, atrás de Anderson. Na época, ele alegou que não participara do racha, mas ao longo da investigação da Polícia Civil concluiu-se que ele estava correndo também.

No julgamento, realizado em fevereiro de 2012, Ferreira escapou da condenação de homicídio doloso, mas foi condenado nos crimes de embriaguez ao volante e racha. Na época, a pena dele era de um ano de prisão em região aberto e cumprimento de serviços à comunidade.

O processo foi suspenso em 29 de março de 2012 para cumprimento das penas. Contudo, Willian Jhony de Souza Ferreira não cumpriu a determinação e houve suspensão do benefício em 07 de setembro de 2014.

O juiz do caso, Aluizio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, voltou a analisar a ação e reformulou a sentença do condutor do Uno, endurecendo a pena.

Depois de notificado, Willian Jhony terá 10 dias para apresentar a carteira nacional de habilitação à Justiça Estadual. Ele pode recorrer da sentença, mas está obrigado a entregar a CNH.

DECISÃO INÉDITA

O julgamento de Anderson e Willian está relacionado a fato inédito à época, em Mato Grosso do Sul. Aquela foi a primeira vez que um motorista era condenado por homicídio doloso e iria para a prisão.

Os dois estavam correndo a mais de 100 km/h na Avenida Afonso Pena, furaram três sinais vermelhos e dirigiam sob efeito de álcool. O julgamento dos dois foi à Juri.

O acidente aconteceu na madrugada do dia 14 de junho de 2010. Mayana de Almeida Duarte cruzava a Avenida Afonso Pena, pela Rua José Antônio. Anderson de Souza Moreno furou o semáforo e atingiu a jovem, que morreu na Santa Casa da Capital.

Também no processo foi réu Kenneth Gonçalves Pereira da Silva, que esteve com os dois motoristas minutos antes do acidente.

Anderson de Souza segue preso na Penitenciária da Máxima, em Campo Grande, e só pode recorrer ao semiaberto em 27 de dezembro de 2019. A reportagem tentou contato com os advogados de Willian Jhony, mas não houve sucesso.