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Policial

Mulher relata momentos de terror e medo de não sobreviver

O primeiro registro da ocorrência apontava para que a mesma tivesse saído para um encontro, o que foi negado depois

Dourados News

31 de Outubro de 2014 - 08:05

“Tive medo de morrer. Em todo momento eu jurava que não ia ver mais minha filha”. Essa a afirmação é da jovem indígena vítima de um estupro no início da madrugada de quarta-feira (29) na entrada da Aldeia Jaguapiru, Reserva Indígena de Dourados. Na tarde desta quinta-feira (30) ela recebeu a equipe do site para relatar o fato.

A jovem de 26 anos mora com a mãe na aldeia e com a filha de três anos. Ela afirmou que havia acabado de sair do restaurante em que trabalhava nas proximidades da reserva e aguardava alguém da família para busca-la, quando o estuprador a abordou. O primeiro registro da ocorrência apontava para que a mesma tivesse saído para um encontro, o que foi negado depois.

Segundo a vítima, era em torno de 0h30 quando o desconhecido se aproximou e ordenou que entrasse no carro, a ameaçando com uma barra de ferro. “Ele disse para entrar no carro, com uma barra de ferro na mão me ameaçando, dizendo que eu ia morrer”, conta.

Antes do ato, a mulher conta que o desconhecido a questionava se sabia quem o havia mandado ali. Muito confusa por não ter desentendimentos com ninguém, disse que a única pessoa a qual imaginou, seria um ex-namorado, porém, não entrou em detalhes sobre o caso. "Quero deixar claro que não estou acusando ninguém, só queria poder esclarecer isso, pois fiquei muito confusa” contou.

Sobre o crime a qual recebeu, a vítima disse que foi violentada em uma rua escura e que apanhou muito, passando por momentos terríveis. “Ele me judiou, me humilhou muito. Me batia e realizava o ato, fez coisas horríveis que não vem ao caso relatar”, contou.

Em determinado momento, conseguiu correr e escapar do estuprador, que a alcançou, mas com os gritos ele fugiu. “Em uma hora consegui avistar a rodovia, então decidi correr. Corri nua, ele chegou a me alcançar, me bateu novamente, foi aí que gritei por muito socorro e ele saiu correndo”, conta.

Após escapar do homem, ela pediu socorro em um bar na MS-156. Lá, buscaram ajuda para encaminhá-la para o hospital. “Quando consegui chegar ao bar toda ensanguentada o pessoal me socorreu, aí fui para o hospital”.

A indígena precisou passar por procedimento cirúrgico no nariz devido às agressões e permanece internada para se recuperar. “Ele machucou muito a minha face. Também estou com muitas dores devidos aos socos e chutes, foi horrível”, relatou.

Posterior à violência sofrida, a jovem contou que não quer mais trabalhar a noite e também deseja futuramente mudar de onde mora.

“Penso em voltar a trabalhar de diarista, não quero mais correr esse risco. Quero me mudar da aldeia, não quero ter que passar por lá e lembrar de tudo”, enfatizou. A jovem considera que ter saído da situação com vida foi uma grande conquista “Eu sou uma vitoriosa, Deus me deu uma segunda chance de vida”, exclamou.