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Policial

PF investiga suposto atentado contra índios que invadiram fazendas

O presidente do Sindicato Rural de Miranda, Adalton Rodrigues de Oliveira, desmente a acusação dos indígenas, ele afirma que nenhum fazendeiro praticou o ato.

Campo Grande News

10 de Outubro de 2013 - 15:45

A Polícia Federal está na região onde indígenas e fazendeiros entraram em conflito nesta madrugada (10) na chácara Trator Mil, em Miranda. Cerca de 300 indígenas que ocupam a fazenda acusam de ter sofrido um atentado a tiros.

De acordo com a assessoria de imprensa da Polícia Federal, cápsulas de uma arma foram encontradas no local, mas a guarnição que já estava na região na madrugada não ouviu nenhum tiro.

Os índios terenas ocuparam o local desde a manhã de ontem (9), de acordo com os próprios indígenas a propriedade onde o atentado aconteceu pertence Enerson Milani. “Uma camionete parou, clareou onde estávamos e atirou pelo menos umas 15 vezes” acusa o cacique Ediberto Antonio Terena.

O líder dos índios lembra que eles estão no local de forma pacífica e permitiram que o fazendeiro tirasse o gado do local. “Não estamos tendo segurança a polícia, precisamos de proteção, durante o dia tudo é tranquilo, quando a noite cai, o medo aumenta”, revela o Terena.

O presidente do Sindicato Rural de Miranda, Adalton Rodrigues de Oliveira, desmente a acusação dos indígenas, ele afirma que nenhum fazendeiro praticou o ato. “Conversa deles. Ninguém fez nada, se aconteceu tiros, foi coisa de índio mesmo”, respondeu o presidente.

A Polícia Federal não revela quantos homens e viaturas estão envolvidos na ação, por questão de segurança. Mas que irão acompanhar o caso até que tudo se acalme. Sobre os tiros, as cápsulas serão avaliadas para tentar descobrir os responsáveis pela ação.

A invasão, que aconteceu por volta das 5 horas da manhã de ontem, foi feita pelos índios da aldeia Moreira, que fica no município de Miranda, a 201 km de Campo Grande. Os terenas invadiram a fazenda Trator Mil de 11 hectares.

Eles já planejam invadir a área que fica em frente, do outro lado da rodovia, e que chega a 7,2 mil hectares, abrangendo cerca de cinco propriedades rurais. Na área de mais de 7 mil hectares está localizada a fazenda Jambeira, do ex-governador do Estado Pedro Pedrossian. Na semana passada a fazenda do filho de Pedrossian também foi invadida.

Os índios exigem que as demarcações de terra, que já tiveram início, sejam concluídas. Caso contrário, novas invasões devem acontecer. Uma equipe da Funai (Fundação Nacional do Índio) esteve ontem com os terena. Um relatório, que solicita rapidez nas demarcações, já foi entregue, segundo o cacique Ediberto, para a Funai e enviado a Brasília.