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Policial

Pivô em caso de manicure não teve participação no assassinato

Delegado explicou que Alisson estava foragido por conta da morte da travesti e foi preso na última sexta-feira à noite, em Campo Grande.

Correio do Estado

15 de Março de 2016 - 15:45

Alisson Patrick Vieira da Rocha, 22 anos, apontado como pivô do assassinato da manicure Jennifer Nayara Guilhermete, não teve participação no crime, conforme concluiu investigação do titular da 2ª Delegacia da Capital, Alexandre Amaral Evangelista. Todavia, ele está preso por força de mandado de prisão decorrente do assassinato da travesti Adriana Penosa, em março do ano passado.

Delegado explicou que Alisson estava foragido por conta da morte da travesti e foi preso na última sexta-feira à noite, em Campo Grande. Ele estava escondido na casa dos pais, localizada aos fundos do Bairro Nova Bahia, e foi descoberto por equipe do Setor de Investigação Geral (SIG) da 2ª Delegacia.

Alexandre Evangelista explicou que depoimento de Alisson condiz com outros depoimentos que o isentam de participação no assassinato. Até a autora do crime, Gabriela Antunes Santos, 20 anos, inocentou o companheiro.

Foi apurado na investigação que embora Alisson tivesse comprado a arma de fogo usada para matar a manicure, ele não forneceu o revólver. Gabriela sabia onde ficava a arma, planejou e executou o crime sozinha. Ainda segundo o delegado, Alisson não tinha interesse de que a companheira praticasse crime até mesmo para não atrair a atenção da polícia porque ele estava foragido.

ENVOLVIMENTO AMOROSO

Alisson contou que teve envolvimento como Jennifer há muito tempo, num período em que estava separado de Gabriela.

Uma colega foi até o bar da autora e contou que Alisson, a manicure e outro casal foram a um motel. Mesmo não sendo em um período em que estavam juntos, Gabriela se sentiu enciumada, traída e quis se vingar.

CASO MANICURE

Jennifer foi morta a tiros no dia 15 de janeiro e localizada na Cachoeira do Ceuzinho um dia depois. Gabriela e Jennifer tinham uma briga há cerca de quatro anos. A manicure havia namorado o atual companheiro de Gabriela e isso ainda era motivo de ciúmes.

Primeiramente, Gabriela foi até Jennifer, que estava na casa de uma cliente no Bairro Vida Nova. O argumento utilizado para a vítima entrar no carro e sair do local era de que Gabriela queria resolver a briga das duas.

Gabriela disse que elas seguiriam para a casa de uma outra pessoa, próximo a Avenida Euler de Azevedo, sentido a Cachoeira Ceuzinho, onde haveria a conciliação da briga.

Emilly e uma adolescente de 16 anos, sobrinha de Alisson, também estavam no carro. No local do crime, Gabriela sacou a arma e desceu do veículo junto com a vítima, até a cachoeira, onde fez os disparos.

Investigação acerca do caso na manicure está encerrada, embora a arma não tenha sido encontrada. Titular da 2ª Delegacia explicou que segundo Gabriela, o revólver foi jogado na cachoeira.

MORTE TRAVESTI

Mesmo ficando constatado que Alisson não teve participação na morte de Jennifer, ele é apontado como assassino da travesti Adriana Penosa. O crime aconteceu no dia 22 de março de 2015, na Rua Tesourinha, Conjunto Morada Verde, região da saída para Cuiabá, na Capital.

À época, Alisson tinha um lava-jato e ao chegar em casa depois do expediente se deparou com Gabriela e Adriana fumando maconha. Ele não gostou da cena e passou a discutir com a companheira, no entanto, a travesti interferiu e começou a quebrar objetos da residência.

Alisson foi até o lava-jato onde pegou um revólver calibre .38, uma moto Bros e chamou um adolescente, que trabalhava com ele, para matar a travesti. A dupla se deparou com a vítima que saía da casa de amigos, a mataram com vários tiros e fugiram.

Dias depois, o menor se apresentou na delegacia, entregou a arma e assumiu autoria do crime. Todavia, testemunhas reconheceram Alisson e garantiram que foi ele quem desceu da moto e assassinou Adriana.

De acordo com o delegado Alexandre, Alisson responderá pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo, corrupção de menores e homicídio qualificado por não dar chance de defesa à vítima.