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Policial

Polícia encontra mais duas ossadas e prende três em investigação contra o tráfico

As vítimas, conforme a delegada, eram vulneráveis e muitas delas viviam em situação de miséria.

Correio do Estado

18 de Novembro de 2016 - 15:10

Mais duas ossadas foram encontradas, na tarde de hoje, na região de chácaras atrás do Parque dos Poderes, em Campo Grande. Equipes da polícia estão realizando buscas em um terceiro local, onde mais vítimas estariam enterradas. Já são três restos mortais localizados, pois ontem (17), uma ossada de uma possível vítima de exploração sexual foi encontrada. As investigações apuraram que 10 pessoas teriam sumido desde 2012 na região.

Três pessoas foram presas hoje suspeitas de envolvimento no esquema de tráfico de drogas, exploração sexual de adolescentes e associação criminosa pela Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude (Deiaj), nas proximidades do bairro Danúbio Azul. Eles são suspeitos de integrar grupo que sumia com jovens para lucrar com o tráfico.

A Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídios (DEH) auxilia nas investigações e continua no local de escavação, realizando buscas.

O CASO

A polícia começou a investigar o caso em setembro, quando Leandro Aparecido Nunes Ferreira, de 28 anos, considerado um dos líderes do grupo, morreu depois de ser ferido a tiros e se envolver em um acidente, no dia 6 de setembro, na BR-163, em Campo Grande.

Durante as apurações do caso, a polícia descobriu que um adolescente tinha matado Leandro porque o irmão desse menino estava desaparecido e era vítima do grupo liderado pelo criminoso. A partir daí, o adolescente colaborou com a polícia e deu detalhes sobre o esquema.

Conforme a delegada, Leandro e pelo menos mais sete pessoas, entre elas duas mulheres, aliciavam adolescentes que viviam nos bairros citados no início da reportagem para que eles fossem abusados sexualmente. As vítimas, conforme a delegada, eram vulneráveis e muitas delas viviam em situação de miséria.

Além de lucrar com os programas sexuais a que os adolescentes, meninos e meninas, eram submetidos, o grupo também ganhava com o aumento do tráfico de drogas na região.

Comerciantes e moradores dos bairros tinham conhecimento do esquema, segundo a polícia, mas temiam denunciar o caso. Casas e estabelecimentos comerciais, inclusive, eram usados pelos criminosos como ponto de encontro entre os abusadores e as vítimas.

Quando algum adolescente queria deixar o esquema ou se desentendia com cliente ou líder do grupo, os bandidos desapareciam com as vítimas. A suspeita da polícia é que os adolescentes eram assassinados.