Policial
Presa morre e por carta detentas denunciam negligência no socorro
Segundo o boletim de ocorrência, Eliana passou mal no sábado à noite e foi levada para a UPA do Coronel Antonino, acompanhada pela escolta.
Correio do Estado
14 de Março de 2016 - 10:13
Eliana Bárbara Maia, de 44 anos, morreu na tarde deste domingo (13), por volta das 17 horas, depois de passar mal no presídio Feminino Irmã Irma Zorzi, no Bairro Coronel Antonino, em Campo Grande. Por meio de carta escrita por presas, familiares denunciam a negligência por parte de agentes e a falta de escolta policial, para acompanhamento de detentas à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que fica ao lado da Unidade Prisional. Por outro lado, a Polícia Militar nega qualquer tipo de negligência.
Segundo o boletim de ocorrência, Eliana passou mal no sábado à noite e foi levada para a UPA do Coronel Antonino, acompanhada pela escolta. Ela foi atendida, ficou em observação tomando soro e liberada à voltar ao presídio, por volta das 22 horas.
No domingo (13), a detenta voltou a passar mal e foi levada a enfermaria do presídio, porém já não conseguia andar. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionada e constatou o óbito da interna.
A mãe de uma detenta, que preferiu não se identificar, por medo de represália contra a filha, visitou a familiar na tarde de ontem (12) e relata o pedido de socorro das internas. Segundo ela, agentes plantonistas teriam se recusado a acordar para levar a interna novamente à UPA e em uma carta, as detentas relatam a negligência contra Eliana.
Segundo a mãe da interna, a carta fala da superlotação nas celas e inclusive de presas com doenças contagiosas, como a tuberculose dormindo no chão ao lado de outras internas.
"As presas estão pedindo socorro, lá tem mais de 500 presas, 13 celas e mais de 40 mulheres em cada cela. Detentas com tuberculose no meio de outras presas, todas dormindo no chão. É impossível alguém sair de lá e ter uma vida normal aqui fora. Eu estou pedindo no nome da minha filha e de todas as internas, porque ninguém mostra a realidade do presídio feminino. Todo mundo erra, mas os Direitos Humanos precisa ver isso", relata a familiar.
Já a carceragem, que também preferiu não se identificar, se defende e ressalta mais um caso de fatalidade. Segundo os agentes, a escolta foi acionada assim que a detenta voltou a passar mal, mas como Eliane não conseguia mais andar, o Corpo de Bombeiros foi acionado. O socorro chegou imediatamente, mas a detenta já havia entrado em óbito.




