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Policial

Religiosos são suspeitos de estuprar mais de 7 pessoas em Coxim

Suspeitos cumprem prisão temporária em Coxim, na região norte do estado. Investigação começou porque a mãe de 4 vítimas denunciou o abuso.

G1 MS

13 de Janeiro de 2017 - 14:21

Um grupo de religiosos é suspeito de estuprar mais de 7 crianças, jovens e adolescentes, em Coxim. Eles cumprem prisão temporária e diziam às vítimas que faziam 'rituais de purificação'.

As investigações começaram depois que a mãe de quatro vítimas denunciou à polícia. Ela disse à delegada de Polícia Civil que os filhos de um ano, três, cinco e 18 anos sofriam abusos.

Os suspeitos dos crimes são dois líderes que atuam em células religiosas ligadas a uma igreja evangélica, que até o final do ano passado funcionava em um prédio que está em reformas no bairro Flávio Garcia. A célula é uma espécie de culto em casa e as reuniões, segundo a polícia, aconteciam na casa de um suspeito de 21 anos e na do outro de 28.

A delegada responsável pelas investigações, Silvia Elaine Girardi dos Santos, diz que vai pedir a prisão preventiva dos dois suspeitos. Um deles está no presídio de Coxim e o outro na cidade de São Borja, no Rio Grande do Sul, onde foi preso na casa de parentes. Ele deve ser transferido para Mato Grosso do Sul nos próximos dias.

Segundo a polícia, os suspeitos chegaram a morar durante quatro meses na casa das vítimas e foi justamente nesse período que os abusos aconteciam com mais frequência. As crianças e o adolescente fizeram exames de corpo de delito e os laudos comprovaram a violência sexual. Os relatos das vítimas revoltaram até os policiais.

Depoimentos

O MSTV teve acesso aos depoimentos. O jovem de 18 anos contou à polícia que conheceu os suspeitos e passou a frequentar a casa deles e até dormia no local, mesmo sem a autorização da mãe. As visitas eram por amizade e para pedir apoio espiritual. Foi quando os suspeitos convenceram a vítima a fazer sexo para se purificar e que isso era um pedido de Deus e ainda se caso não atendesse a vontade divina toda a família morreria.

O rapaz era agredido e ameaçado com faca no pescoço para realizar os "rituais de purificação”. O jovem disse ainda que os líderes da célula pediram para morar na casa dele e quando conseguiram a permissão da mãe, os suspeitos também passaram a abusar sexualmente dos irmãos pequenos.

A menina de cinco anos, que foi ouvida pela delegada, disse que os suspeitos batiam na cabeça dela e dos irmãos com um pedaço de pau e praticavam abusos. Eles faziam ameaças se ela contasse o que estava acontecendo. As agressões e abusos ocorriam quando a mãe das crianças estava no trabalho. Quando ela chegava do serviço, os agressores se comportavam como se fossem boas pessoas.

Outros três jovens de 15, 17 e 20 anos também prestaram queixa na delegacia de Coxim contra os suspeitos que negaram as acusações. A polícia suspeita que mais pessoas foram vítimas da dupla.

Até agora dez pessoas prestaram depoimento no caso. Segundo a delegada, os suspeitos ainda não apresentaram advogados. Eles vão responder por estupro, estupro de vulnerável, lesão corporal e ameaça porque pressionavam as vítimas para que não contassem nada a ninguém.