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Policial

Sem pistas, fuga do Maníaco da Cruz completa um mês hoje

Dourados News

03 de Abril de 2013 - 07:33

Um mês após a fuga de Dhionatan Celestrino, 20, da Unei (Unidade Educacional de Internação) Mitaí, em Ponta Porã, a polícia brasileira ainda não possui pistas concretas sobre o paradeiro do jovem, que ficou conhecido como ‘Maníaco da Cruz’ após o assassinato de três pessoas no município de Rio Brilhante, em 2008.

Ele escapou da unidade da fronteira em 3 de março e a principal suspeita continua sendo seu deslocamento para terras paraguaias.

“A polícia brasileira continua as buscas por Dionathan a todo o momento, mas não temos pistas concretas, apenas informações que, após checadas, são descartadas. Acreditamos que esteja no Paraguai, pela proximidade”, afirmou o tenente coronel da Polícia Militar em Ponta Porã, Ulisses César Alcarás.

Ainda segundo ele, a Polícia Nacional do país vizinho espalhou cartazes do acusado em vários municípios e também auxilia na captura do ‘Maníaco’. “Desenvolvemos um trabalho em conjunto e eles estão em posse de todas as informações do foragido para nos auxiliar na sua captura”, comentou.

Desde que escapou da internação, as informações sobre o paradeiro de Dhionatan ‘brotam’ nas cidades sul-mato-grossenses, principalmente onde o autor dos crimes possui parentesco, como Dourados – onde a mãe mora - e Rio Brilhante – terra onde aconteceu os assassinatos -, porém, a polícia não possui nada que confirme essas acusações.

“Por se tratar da maneira como os crimes foram realizados, muitas pessoas sentem o temor pelo fato dele estar solto. Mas estamos trabalhando em conjunto para resolver essa questão”, comentou o policial.

ANTES DA FUGA

Em novembro de 2011, o acusado foi trazido para o Fórum de Dourados para a realização de uma perícia psiquiátrica que informaria se estaria apto a deixar a unidade de internação, o que não aconteceu.

Na época, ele havia cumprido os três nos de ‘pena’ e teria que deixar a Unei, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Três meses depois, a Justiça determinou que ele fosse internado em uma clínica para tratamento, porém a medida não foi cumprida pelo Estado e Dhionatan continuou em Ponta Porã.

Em contato com o superintendente de Assistência Socioeducativa da Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública), Hilton Vilassanti Romero na época da fuga, o Dourados News foi informado que o período superior ao imposto por Lei para a internação do ‘Maníaco da Cruz’ foi determinante para o caso.

“Durante os três anos em que passou no local, ele não criou nenhum obstáculo perante aos agentes educacionais. Mas após esse período, seu comportamento se tornou arredio”, comentou.

Ainda segundo o superintendente, o correto seria que Dhionathn tivesse deixado a unidade quando completou 18 anos.

O CASO

O jovem foi preso em 2008, após assassinar três pessoas e assustar a cidade de Rio Brilhante, distante 55 quilômetros de Dourados. Na época, ele escolhia e classificava as vítimas de acordo com o próprio julgamento.

O primeiro crime aconteceu em 2 de julho daquele ano, quando matou o pedreiro Catalino Gardena, que era alcoólatra e o deixou jogado em uma construção, escrevendo em seu peito INRI, que traduzido do latim para o português significa Jesus de Nazareno Rei dos Judeus.

A segunda vítima do então adolescente foi a homossexual Letícia Neves de Oliveira. Em 24 de agosto ela foi encontrada morta em um túmulo do cemitério do município. O que chamou a atenção é que ela foi deixada em ‘formato de cruz’.

O terceiro homicídio foi contra uma adolescente de 13 anos, onde após executar o crime, Dhionatan deixou um bilhete próximo ao seu corpo com vários desenhos em formato de cruz e letras soltas que formavam a palavra 'inferno'.

Ele foi apreendido no dia 9 de outubro de 2008 em sua residência. Os policiais encontraram no quarto do criminoso, fotos e recortes de jornais com os seus crimes e também uma idolatria em relação à Francisco de Assis Pereira, conhecido como 'Maníaco do Parque', que aterrorizou mulheres frequentadoras de um parque da cidade de São Paulo.