Policial
Sérgio Moro manda soltar Monica Moura, diz defesa
Monica Moura foi presa durante a 23ª fase da Operação Lava Jato. MPF afirma que dívidas de campanha foram pagas com propina.
G1
01 de Agosto de 2016 - 10:37
O juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, mandou soltar Monica Moura, mulher do ex-marqueteiro do PT João Santana. A decisão foi confirmada pelo advogado de defesa, Fábio Tofic Simantob. O despacho não havia sido divulgado até as 11h desta segunda-feira (1º).
O casal foi preso durante a 23ª fase da Operação Lava Jato, em fevereiro deste ano. De acordo com a força-tarefa da Lava Jato, foram encontrados indícios de que Santana recebeu US$ 3 milhões de offshores ligadas à Odebrecht, entre 2012 e 2013, e US$ 4,5 milhões do engenheiro Zwi Skornicki, entre 2013 e 2014.
De acordo com a Polícia Federal e com o Ministério Público Federal (MPF), o dinheiro é oriundo de propina retirada de contratos da Petrobras e da Sete Brasil - empresa criada para operação do pré-sal.
Zwi é representante no Brasil do estaleiro Keppel Fels e, segundo os procuradores, foi citado por delatores da operação do esquema como elo de pagamentos de propina. O engenheiro tem acordo de colaboração com a força-tarefa.
Fábio Tofic Simantob também declarou que Moro teria tido como base para a soltura os depoimentos prestados pelo casal Monica Moura e João Santana e pelo engenheiro Zwi. Moro teria declarado ainda, segundo o advogado, que Monica não participou do esquema criminoso.
Caixa dois
A
denúncia
O dinheiro, conforme os procuradores, teve origem em contratos celebrados entre
o estaleiro Keppel Fels e a Petrobras para a realização das plataformas P-51,
P-52, P-56 e P-58.
Segundo a denúncia, houve pagamento de propina para Renato Duque e Pedro Barusco nesses contratos. Ambos têm condenação na Lava Jato.
Duque está preso no CMP, e Barusco cumpre pena regime aberto diferenciado - que estabelece recolhimento domiciliar durante a noite e nos fins de semana e feriados.
A Keppel Fels também tinha contratos com a Sete Brasil para construção de sondas que chegam a R$ 185 milhões.
Segundo as investigações, um terço da propina paga nesses contratos foi dividido entre o ex-presidente da Sete Brasil João Ferraz e os ex-gerentes da Petrobras Pedro Barusco e Eduardo Musa todos são colaboradores da Lava Jato.
Os outros dois terços foram encaminhados ao então tesoureiro do PT João Vaccari Neto, que solicitou que parte dos depósitos ficasse com João Santana e Monica Moura, segundo a denúncia.
Assim que o conteúdo da investigação se tornou público, os adovogados que representam Santana e Moura afirmaram que recursos em contas do exterior provêm, exclusivamente, de campanhas feitas em outros países. Segundo a defesa, "nehhum centavo" é de campanha brasileira.
Quando Zwi foi preso, a defesa dele afirmou que o engenheiro só falaria nos autos do processo e que considerava a prisão desnecessária.




