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Policial

Traficantes apelam para consórcio de drogas para dividir despesas

Forças de segurança relatam que nos últimos dias, os traficantes têm optado por grandes carregamentos com as despesas divididas

Dourados Agora

05 de Agosto de 2014 - 10:00

Prática comum entre entidades que contribuem mutuamente por um objetivo em comum, o consórcio também tem sido a principal opção dos traficantes de entorpecentes que agem em Mato Grosso do Sul, diz a polícia.

Por meio deste modelo de associação, os criminosos conseguem amenizar possíveis prejuízos em caso de apreensão.

Diferentes de outros tempos quando a disputa por território era motivo de conflito entre eles, hoje a maioria se ajuda.

Ao invés de se arriscarem sozinhos na compra dos entorpecentes, por meio do tráfico "doméstico" ou "formiguinha", eles fretam juntos certa quantidade e dividem as despesas, pois se por acaso, a polícia der flagrante e prender o atravessador, os prejuízos serão menores.

Segundo o tenente-coronel Aroldo Luiz Estevão, sub-diretor do Departamento de Operações de Fronteira (DOF), nos últimos dias têm sido comum apreensões de caminhões e carretas transportando grandes quantidades de entorpecentes.

“Apreensões em carretas e caminhões têm sido muito comuns nos últimos dias. Essa mudança no modo de agir é normal por parte dos criminosos. Quando a polícia identifica e passa a repreender determinado esquema, eles procuram alternativas, para que possam dar continuidade aos delitos”, explicou o sub-diretor do DOF.

Até o momento neste ano, o DOF, a Polícia Rodoviária Estadual (PRE), a PRF (Polícia Rodoviária Federal) e a PF (Polícia Federal) já tiraram de circulação mais 176 toneladas de entorpecente, sendo 172 só de maconha e 4,6 de cocaína. Em uma apreensão recente, realizada semana passada pelo DOF, na MS-156 entre Amambai e Caarapó, foram recolhidas sete toneladas de maconha.

No início do ano, em Dourados, a PRF apreendeu dez toneladas na BR-163, droga que estava escondida sob carregamento de bancos de madeira. Apesar deste cenário, a inspetora Vanessa Freire, chefe do núcleo de comunicação social da PRF, afirma que o trabalho das "formiguinhas" continua.

"Ainda há o tráfico formiguinha ou doméstico, que é aquele feito em pequenas quantidades principalmente por mulheres e jovens, conhecidos como mulas", completou ela destacando que, no caso dos grandes carregamentos, os perfis dos envolvidos são outros.

"Observamos nas apreensões da Polícia Rodoviária Federal um aumento no tráfico realizado em grandes quantidades [...] (o transporte) geralmente é feito por homens entre 35 e 45 anos”, disse ela.

Repressão

O delegado Rodrigo Yassaka, da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) de Campo Grande, mas que abrange todo o Estado, afirma que a entidade atua em parceria com a demais forças de segurança, em duas linhas de frente.

A primeira é identificar quem são os traficantes e de onde eles importam as drogas, e a segunda é o combate direto às bocas de fumo, principalmente na Capital.

"A gente sabe que a maioria deles compra maconha e cocaína do Paraguai e Bolívia, e nosso setor de inteligência está atento quanto a isso. Quando há materialidade, nós executamos as apreensões. Na cidade, buscamos desarticular as bocas de fumo, inibindo assim crimes correlatos, como roubos e furtos cometido por usuários", explicou Yassaka.