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Política

Base do governo força derrubada de sessão da CCJ da Câmara sobre eleição direta

Partidos aliados ao presidente Michel Temer usaram estratégia de obstrução dos trabalhos. Texto em análise propõe eleição direta em caso de vacância da Presidência.

G1

13 de Junho de 2017 - 14:23

A base aliada do governo conseguiu derrubar nesta terça-feira (13) a sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) voltada a debater a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece eleições diretas em caso de vacância da Presidência da República.

A proposta, de autoria do deputado Miro Teixeira (Rede-RJ), autoriza eleições diretas no caso de vacância da Presidência e da Vice-Presidência, exceto nos últimos seis meses do mandato.

Atualmente, a Constituição determina que se a Presidência ficar vaga nos dois últimos anos do mandato deverá ser realizada eleição indireta pelos membros do Congresso, com votação convocada para até 30 dias após a vacância.

Desde a divulgação da delação premiada dos executivos do frigorífico JBS, a base aliada do governo Michel Temer vem obstruindo os trabalhos da CCJ para evitar o debate sobre eleições diretas.

Logo no início da sessão desta terça, membros da base governista apresentaram requerimentos que tratavam do andamento dos trabalhos. Com a exigência de votação nominal dos membros do colegiado, os aliados de Temer anunciaram obstrução e forçaram a derrubada da sessão, já que o quórum ficou baixo.

A pauta da sessão tinha como item único a PEC das eleições diretas. A reunião foi marcada após semanas de negociação entre base, oposição e o presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG).

Aliado do governo Temer, o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) se posicionou contra a mudança na Constituição para permitir o voto direto caso a presidência fique desocupada.

“Nós não devemos tratar da questão de diretas já ou antecipação de eleição. A Constituição de um país democrático não deve ser mudada na hora da crise”, defendeu.

“Tenho ouvido muito dizer que o Congresso não está com credibilidade. Essa não é a minha opinião. Se o Congresso não tem credibilidade para cumprir a Constituição, não vai ser este Congresso que vai ter credibilidade para mudar a Constituição”, completou.

O deputado Alessandro Molon questionou a prática da obstrução, estratégia normalmente usada pela oposição, que não tem maioria na Casa.

“Não é normal o governo obstruir a principal comissão da Casa. Não é normal não querer que o povo vote, usurpar o direito do povo de escolher o próximo presidente”, afirmou.

Se passar pela CCJ, a PEC será encaminhada para uma comissão especial e depois o texto precisa ser votado no Plenário, em dois turnos. O presidente da CCJ informou que outra reunião para debater o tema será feita na próxima semana.

“Será pautada quantas vezes for necessário, até que possa ser apreciada – aprovada a admissibilidade ou rejeitada – mas destravando a pauta da CCJ”, disse.