Política
Eleição de Marquinhos fortalece projeto da oposição e força Reinaldo a rever estratégia para reeleição
Marquinhos venceu as eleições com 58.77% dos votos válidos sobre a vice-governadora Rose Modesto.
Flávio Paes/Região News
30 de Outubro de 2016 - 23:28
A eleição do deputado Marquinhos Trad, prefeito de Campo Grande, vai trazer desdobramentos na sucessão do governador Reinaldo Azambuja, que ao perder no maior colégio eleitoral do estado (a capital concentra quase 35% dos eleitores sul-mato-grossense) terá de reavaliar seu projeto de reeleição. Marquinhos venceu as eleições com 58.77% dos votos válidos, derrotando a candidata de Azambuja, Rose Modesto, vice-governadora.
O resultado acontece dois anos depois de Reinaldo se eleger governador, com uma consagradora vitória na Capital, onde obteve 63% dos votos (289.862), impondo uma diferença de 123.872 de votos sobre o senador Delcidio do Amaral.
Neste domingo, a candidata de Reinaldo, obteve 41,29% dos votos, perdendo por uma diferença de 72.216 votos. A gestão de Azambuja passa por um processo de desgaste, resultado da combinação de aumentos dos impostos (IPVA, ICMS, ITCD) com os poucos resultados administrativos até aqui (em termos de obras) na cidade. Na Capital, a Caravana da Saúde, carro chefe da gestão tucana, não teve o mesmo impacto popular do que o obtido nas cidades do interior.
Foto: Flávia Galdiole/TV Morena
A vitória de Marquinhos pode dar a oposição fôlego para viabilizar uma candidatura competitiva para enfrentar Azambuja em 2018. Um nome que pode surgir neste cenário é o do prefeito Alcides Bernal, que embora não tenha sido reeleito, obteve uma votação expressiva (mais de 26% dos votos válidos, 2.226 votos a menos que Rose) já acenou com a possibilidade de vir a ser candidato. Se vai conseguir manter a aliança que firmou com Marquinhos e unir em torno do seu nome de oposição, é outra questão que só o futuro vai indicar a viabilidade.
Marquinhos Trad (PSD) venceu a eleição com uma dianteira de 72.216 votos. Ele conquistou 58,77%, que corresponde a 241.876 votos. Enquanto a concorrente Rose Modesto (PSDB) obteve 41,23% (169.660 votos). A abstenção foi maior neste segundo turno: 22,32%. Ou seja, 132.865 pessoas não compareceram às urnas hoje. No primeiro turno, a abstenção foi de 19,20% (114.286).
O prefeito eleito afirma que vai ligar para o governador, Reinaldo Azambuja (PSDB), e a vice, Rose Modesto (PSDB). A cidade é maior do que toda campanha eleitoral e ataques, pontua.
Eu não acredito que o governador irá virar as costas para Campo Grande e me receberá como prefeito para ajudar a cidade, afirmou ao chegar no TRE (Tribunal Regional Eleitoral), onde foi recebido em tom de comemoração por aliados, eleitores e colegas de legenda.
Na avaliação de Trad o campo-grandense mostrou nas urnas que não é com ataques, telefonemas ou panfletos que se definem os votos. A campanha foi de propostas e as pessoas preferiram as minhas. Isso sim é política nova, com altruísmo e generosidade, diz o eleito.
É a sexta vez, segundo ele, que ganha uma eleição em primeiro lugar, o que o deixa muito feliz e animado. Lembra que sofreu muitas acusações no decorrer da campanha, mas que agora é o momento de estender a mão a todos.
Perfil Filho do deputado federal Nelson Trad e da professora Therezinha Mandetta Trad, formou-se em direito pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) há mais de 20 anos. Exercendo a profissão, já atuou como conselheiro estadual da OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil Seccional de Mato Grosso do Sul) e presidente da Comissão de Ética e Disciplina da entidade.
Também foi diretor do antigo Instituto Meritum do estado, integrou a diretoria jurídica do Rádio Clube de Campo Grande, foi secretário de Assuntos Fundiários do município e presidente do Tribunal de Justiça Desportiva Estadual.
Deu aulas nos cursos de direito da UCDB, Estácio de Sá, Facsul e foi titular dos cursos de pós-graduação da Uniderp e Unaes.
A carreira política de Marquinhos começou em 2004, quando se candidatou a vereador e foi eleito com 11.045 votos, o maior índice da época. Em 2006 foi eleito deputado estadual com 35.777 votos e reeleito em 2010 e em 2014.





