Saúde
Médicos de MS realizam primeira cirurgia robótica no estado em paciente com câncer pulmonar
O procedimento, chamado lobectomia pulmonar, remove a parte do pulmão comprometida pelo câncer.
Midiamax
23 de Fevereiro de 2026 - 09:54

Foi realizada neste sábado (21), em Campo Grande, a primeira cirurgia torácica robótica de Mato Grosso do Sul. O procedimento, chamado lobectomia pulmonar, remove a parte do pulmão comprometida pelo tumor, com o objetivo de eliminar o câncer quando ele ainda está restrito àquela região. A cirurgia foi realizada no Hospital Cassems, em Campo Grande, pela equipe de cirurgia torácica Tórax Center.
Até então, pacientes que necessitavam desse tratamento precisavam ser encaminhados para grandes centros, como São Paulo. O marco para a medicina local só foi possível após 10 anos de projeto, quando foi formada a equipe Tórax Center. Há três anos, o grupo iniciou a formação específica da equipe em cirurgia torácica robótica.
A paciente submetida à cirurgia teve diagnóstico precoce, um importante detalhe que influencia nos resultados da intervenção. Nestas condições, a doença ainda está restrita a uma parte do pulmão, o que permite que o tratamento cirúrgico tenha maior potencial curativo.
A Tórax Center é formada pelos cirurgiões torácicos Dra. Karen Guerra de Souza, Dra. Michele dos Santos Ferreira, Dr. Renato Kayatt Lacoski e Dr. Renato Meinberg Cheade. O grupo atua em cirurgia torácica oncológica, broncoscopias e procedimentos minimamente invasivos em Campo Grande.
Como funcionou a cirurgia
Antes do procedimento, foi realizado um estadiamento completo, com exames como tomografia, ressonância e PET-CT, para avaliar se o tumor estava restrito ao pulmão ou se havia comprometimento de outras estruturas. Durante o procedimento robótico, esse estadiamento é mais detalhado, pois a tecnologia permite visualizar os linfonodos (gânglios linfáticos) com alta definição, ajudando a determinar o estágio da doença. Neste caso, foram retirados os linfonodos considerados essenciais para uma classificação precisa do câncer e para definir o prognóstico da paciente.
A cirurgia robótica garante maior precisão aos movimentos; melhor visualização das estruturas internas; dissecção mais segura de vasos delicados; e esvaziamento linfonodal mais completo. Cirurgias minimamente invasivas, como esta, representam um avanço importante na medicina atual, pois reduzem a dor, o tempo de internação hospitalar e o risco de complicações. Além disso, a ergonomia do console permite que o cirurgião opere com estabilidade e menor fadiga, contribuindo para maior controle durante o procedimento.
O Dr. Renato Meinberg Cheade foi responsável pelo manuseio do bed side, e cita que a realização da cirurgia no Estado é resultado de um longo preparo. “Nos preparamos durante anos para esse momento. A equipe passou por pós-graduação específica e treinamento intensivo na área. Já realizávamos esse tipo de procedimento em outros estados, mas agora conseguimos oferecer essa tecnologia aqui, em Campo Grande, sem que o paciente precise se deslocar para os grandes centros.”
O Dr. Diogo Gomes Augusto, responsável por conduzir o console robótico, reforça o impacto do avanço no acesso à saúde: “Essa não é uma tecnologia nova para nós, mas é uma conquista para o Estado. Antes, precisávamos levar pacientes para São Paulo para realizar a cirurgia robótica. Isso envolvia custos adicionais com deslocamento, afastamento da família e toda a logística de um tratamento fora de casa. Hoje, conseguimos oferecer o mesmo padrão de tratamento aqui, com mais conforto, mais acessibilidade e mais segurança para o paciente”.
O Dr. Renato Kayatt Lacoski também destaca o ganho técnico do método: “A cirurgia robótica eleva o padrão de precisão. Conseguimos visualizar melhor os linfonodos, realizar um estadiamento mais completo e fazer uma dissecção mais segura. Isso impacta diretamente o prognóstico e a qualidade do tratamento. Quando o paciente está próximo da família e tem a sua rede de apoio, a recuperação cirúrgica e o tratamento oncológico se tornam mais eficazes”.
A Dra. Michele dos Santos Ferreira (CRM/MS 4126 | RQE 2951) relata: “A técnica robótica tem sua principal indicação no tratamento do câncer do pulmão, mas pode ser utilizada em outras doenças do tórax, como tumores do mediastino, facilitando o acesso ao mediastino anterior e posterior, com excelente ergonomia”.




