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Sidrolândia

Apagão de 12 horas trouxe prejuízo a comerciantes e até a perda de medicamento que custa R$ 22,3 mil

Portadores de algumas doenças crônicas tiveram de jogar fora o remédio que perdem eficácia se não tiver sob refrigeração.

Flávio Paes/Região News

29 de Dezembro de 2019 - 20:39

Apagão de 12 horas trouxe prejuízo a comerciantes e até a perda de medicamento que custa R$ 22,3 mil

O apagão que começou quinta-feira à noite e se estendeu até às 11 horas da manhã da última sexta-feira, deixou boa parte da população de Sidrolândia sem energia elétrica, produziu o efeito cascata da falta de água no bairro mais populoso da cidade, o São Bento, também trouxe prejuízos financeiros para muitos comerciantes. Eles perderam mercadorias perecíveis armazenadas em freezers e na sexta-feira muitos empresários tiveram de abrir seus estabelecimentos comerciais mais tarde.

Portadores de doenças crônicas tiveram de jogar fora remédios que usam no seu tratamento, porque perdem eficácia se não tiverem sob refrigeração. A Unidade de Pronto Atendimento também ficou todo este tempo com o funcionamento prejudicado pela falta de energia, já que não tem gerador próprio.

 O Nutri Shopping Supermercado na sexta-feira abriu suas portas com uma hora e 30 minutos de atraso. O dono de um posto de combustível localizado na Avenida Dorvalino dos Santos, calcula que durante o apagão tenha deixado de faturar R$ 30 mil. As bombas de abastecimento ficaram paradas entre às 22h49 da quinta-feira e às 10h50 da manhã da última sexta-feira.  O empresário perdeu R$ 15 mil em mercadorias perecíveis estocadas na lanchonete que funciona anexa ao posto.

O apagão trouxe consequências bem mais sérias para Edima Duarte do que o inconveniente de por algumas horas não ter como assistir seus programas favoritos na TV. Sem energia, ela perdeu uma caixa de Betainterferona 1A, com 12 injeções, remédio indicado para o controle de esclerose múltipla com a qual convive há 8 anos.

Como o remédio é de alto custo (uma caixa com 12 seringas custa R$ 22.308,27) ela depende do fornecimento gratuito feito pela Secretaria Municipal de Saúde. Até que haja uma nova remessa terá de ficar sem a medicação.

Indignada com a situação, Edima chegou ir ao Ministério Público para reclamar, esteve na Delegacia de Polícia, mas não conseguiu registrar boletim de ocorrência porque os computadores estavam desligados por falta de energia.

Conforme comunicado da Energisa, distribuidora de energia elétrica, na quinta-feira durante o temporal, com vento forte, uma descarga elétrica teria queimados equipamentos da rede de distribuição da cidade. Extraoficialmente os raios teriam queimado pelo menos 10 transformadores. Até a vinda de Campo Grande do reforço da equipe de manutenção, houve uma certa demora para que todos os equipamentos fossem substituídos, daí o blecaute ter demorado tanto tempo.

Uma das razões para a queima de tantos transformadores de forma simultânea, que a assessoria da Energisa não confirma, é que o problema teria ocorrido em pontos da rede onde não foi feita a poda regular de árvores, que é um fator facilitador destes incidentes. Com a ventania, os galhos batem na fiação, muitas vezes provocando curto-circuito.

Até a entrada em operação do aterro sanitário, no último mês de janeiro, a empresa fazia a poda e a Prefeitura recolhia o resíduo e jogava no antigo lixão,  sem custo para o município. Pela legislação, na condição de grande geradora de resíduo, é tarefa da Energisa dar destinação aos galhos retirados das árvores. A empresa faz a poda, usa o equipamento para triturar o material para uma empresa em Campo Grande dedicada à produção de adubo orgânico, que estaria com seu licenciamento vencido.