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Sidrolândia

Após infarto do miocárdio, Emerson vivia há 4 anos com coração 74% comprometido

A Santa Casa de Campo Grande ainda não divulgou o 1º boletim médico sobre o estado de saúde de Emerson Jaime de Lima, trabalhador rural sidrolandense de 37 anos

Flávio Paes/Região News.

07 de Abril de 2020 - 07:40

Após infarto do miocárdio, Emerson vivia há 4 anos com coração 74% comprometido

A Santa Casa de Campo Grande ainda não divulgou o 1º boletim médico sobre o estado de saúde de Emerson Jaime de Lima, trabalhador rural sidrolandense de 37 anos. No domingo à tarde ele se submeteu ao transplante de coração, sua esperança de ter sobrevida. Desde 10 de março de 2016, aos 34 anos, teve um infarto agudo do miocárdio que reduziu em 74% a capacidade de funcionamento do coração, com comprometimento de duas artérias coronárias.

Emerson, que trabalhava como operador de máquinas agrícola numa fazenda em São Gabriel do Oeste quando teve o primeiro sintoma da doença cardíaca que lhe impôs uma série de limitações no dia a dia, além de frequentes internações, estava há três meses internado na Santa Casa, na fila do transplante. Neste período surgiram 4 oportunidades da cirurgia, mas nenhum dos casos, o coração doado era compatível.

No peito de Emerson agora bate o coração de um jovem de 21 anos, que teve morte cerebral, consequência dos ferimentos decorrente de um acidente de trânsito na zona rural de Chapadão do Sul, na última quinta-feira. Se tudo correr bem, não houver rejeição, em 30 dias ele poderá ter alta e voltar pra casa, logicamente, sob rigoroso acompanhamento.

Para tentar resgatar um pouco da história de Leonardo, este trabalhador de 37 anos, pai de um adolescente e 15 anos, por 16 anos casado e há sete meses separado. Mesmo após separação, a ex-mulher continuou a cuidar da saúde dele, o levando a consultas periódicas no Hospital Universitário e o internando no início do ano na Santa Casa, quando seu estado se agravou e os médicos resolveram que deveria permanecer no hospital até conseguir fazer o transplante de coração.

“Jamais poderia dar as costas a ele, por uma questão de humanidade, mas também porque ele é o pai de meu filho, que está sofrendo muito”, relata. A seu pedido não vamos divulgar a identidade dela. Emerson, com o perdão do guichê, é um sobrevivente. Teve pouca convivência com mãe, sendo criado na infância pelo avô.

No início da adolescência foi morar na casa de um amigo, filho de dona Antônia. Com 19 para 20 anos se casou e constituiu família. Também se afastou da mãe adotiva que tem boas recordações dele. “Um menino muito educado, trabalhador, sadio, que de uma hora pra outro, ficou doente do coração”, relata.

Conta que só ficou sabendo do transplante ao ler a respeito na internet, porque raramente o filho de criação a visitava. Em 2016, morava com a mulher e o filho, na época com 12 anos de idade, numa fazenda na região do Capão Seco. Naquele ano foi para São Gabriel do Oeste onde trabalharia na colheita de soja em outra propriedade do patrão.

Na manhã do dia 10 de março daquele ano, pouco depois que havia começado a trabalhar, sentiu fortes dores do estomago. Foi para o hospital e com o diagnóstico de gastrite, recebeu medicação e teve alta. Como as dores não passavam resolveu voltar pra Sidrolândia onde chegou por volta das 17 horas.

No Hospital Elmiria Silvério Barbosa, onde ficou até às 21 horas, recebeu o mesmo diagnóstico (gastrite) e a mesma medicação (omeprazol). Não ficou em casa nem 3 horas, a mulher o levou novamente para o hospital. O enfermeiro Ramão Vargas, que estava trabalhando naquela noite, sugeriu ao médico plantonista que talvez fosse úlcera, não gastrite o problema do trabalhador rural.

O médico pediu um exame cardiológico mais detalhado e constatou o diagnóstico de infarto agudo do miocárdio. Pediu o encaminhamento na vaga zero por volta da meia-noite, que só foi liberada no Hospital Universitário às 7 horas da manhã. Submetido a cirurgia, os médicos constataram o comprometimento de duas artérias. Ele não pode fazer cateterismo e só foi possível receber uma ponte safena.

Para que pudesse sobreviver com 26% do coração funcionando, os médicos implantaram, um Cardioversor/Desfibrilador (CDI), equipamento capaz de detectar arritmias graves e tratá-las imediatamente através de estímulos elétricos. Quando o coração fica lento, o CDI funciona como se fosse um marca-passo convencional, corrigindo a bradicardia.

Ano passado só conseguiu sobreviver a uma crise, após levar 11 choques do CDI que restabeleceram o ritmo do seu coração. Ao longo destes 4 anos, Emerson teve de conviver com as limitações de um coração com 74% do seu funcionamento comprometido.

Não conseguiu mais trabalhar (se aposentou por invalidez), dieta alimentar rigorosa, impedido de tomar mais 800 ml de água por dia, ida regular ao médico em Campo Grande, vários remédios (alguns de alto custo), além de temporadas de internação. Diante das limitações físicas, teve momentos de ansiedade e depressão. O transplante vai significar, um renascimento para Emerson.