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Um jornal a serviço do MS. Desde 2007 | Quarta, 23 de Setembro de 2020

Sidrolândia

Com quarentena, agricultores familiares já enfrentam dificuldades para vender produção

A Sidropolpa não tem ideia que destinação vai dar as 22 toneladas de polpa de fruta que forneceria para unidades do Exército.

Flávio Paes/Região News.

29 de Março de 2020 - 20:17

Com quarentena, agricultores familiares já enfrentam dificuldades para vender produção

Agricultores familiares, que se dedicam à produção de hortifrutigranjeiros e a agroindústria, Sidropolpas, da Cooperativa Mista Familiar da Agricultura e Pecuária (Coopfap), após seis dias de quarentena decretada para tentar evitar a disseminação do coronavírus, enfrentam dificuldades para comercializar a produção.

A Sidropolpa deu férias coletivas aos seis funcionários e ainda não tem ideia que destinação vai dar as 22 toneladas de polpa de fruta que forneceria para unidades do Exército, além de reforçar a merenda nas escolas de Campo Grande, Sidrolândia e Itaporã. Com a interrupção do processo de produção, alguns dos agricultores associados à cooperativa estão jogando fora a produção de goiaba e acerola.

Segundo o presidente da Cooperativa, Alberto de Souza (o Buiu), todo este estoque de polpa já estava vendido, mas com a suspensão das aulas, em função das medidas de controle do COVID-19, as Prefeituras não tem como receber os lotes que adquiriram. Só com a Capital, o contrato de venda de polpa soma R$ 34 mil.

Foto: Divulgação/Região News-Sacos com acerola.

Ele conta que das 19 toneladas vendidas, só foram entregues 16 para a merenda escolar de Sidrolândia, que somam mais de R$ 24 mil, além de 4 toneladas para Prefeitura de Itaporã . A prefeitura de Sidrolândia cogitou estruturar um programa para aquisição de frutas, legumes e verduras dos pequenos produtores, para a distribuição de “cestas verdes” entre famílias de baixa renda.

Segundo o secretário de Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente, Ivan de Oliveira, como 2020 é um ano eleitoral, juridicamente a ideia não evoluiu porque a iniciativa poderia caracterizar uma medida eleitoreira. “A legislação proíbe os governos, no último ano de mandato, criar projetos e programas de caráter assistencial”, explica.

Como o município não tem institucionalizado um programa de distribuição gratuita de verduras, o setor jurídico da Prefeitura desaconselha a ideia. Outro agravante é que não há dotação orçamentária para as aquisições. Desde setembro do ano passado, 40 pequenos produtores não estão vendendo frutas, verduras e legumes para Companhia Nacional de Abastecimento, que garantia a distribuição de 398 cestas verdes para famílias em vulnerabilidade cadastradas pela Secretaria de Assistência Social.

Com a suspensão das aulas, não há fornecimento para a merenda escolar, contrato que ano passado rendeu à agricultura familiar, mais de R$ 600 mil de faturamento bruto. A alternativa agora é a retomada das duas feiras semanais realizadas na cidade, na quarta-feira e no sábado, centralizadas na Rua Distrito Federal, perto do Poliesportivo Brizolão.