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Sidrolândia

Covid-19 deixa rastro de dor, famílias enlutadas e interrompe convívio de 40 anos

Dona Apolônia era uma mulher desprendida de vaidade, sentia prazer em contribuir, ajudar o próximo e foi assim que cultivou amizades que cruzaram décadas.

Marcos Tomé/Região News

05 de Abril de 2021 - 16:42

Covid-19 deixa rastro de dor, famílias enlutadas e interrompe convívio de 40 anos
Dona Apolônia Acosta, de 68 anos e seu Ari Gomes, de 73 anos. Foto: Divulgação

A morte de dona Apolônia Acosta, de 68 anos, não é só um dado estatístico nas planilhas de controle do sistema de saúde. A 86ª vida ceifada pelo novo coronavírus era uma personagem que simbolizava a força da mulher genitora, empreendedora e que faz a vida acontecer diante das dificuldades econômicas e sociais. Casada há 40 anos com Ari Gomes, de 73 anos, dona Apolônia era uma mulher desprendida de vaidade, sentia prazer em contribuir, ajudar o próximo e foi assim que cultivou amizades que cruzaram décadas.

De sorriso fácil, sotaque inconfundível, carisma invejável, deixou 5 filhos (três de sangue; dois do relacionamento anterior do seu Ari), 6 netos e uma legião de amigos. Dona Apolônia, recomeçou a vida aos 28 anos quando ao lado do esposo retornou do Amazonas, pra onde foram em busca de dias melhores. Em Sidrolândia, em meados dos anos 90, deu início a uma atividade que só foi interrompida após ser diagnosticada com a Covid-19; o espetinho.

Cozinheira de "mão cheia", o sabor de suas refeições tinha clientela fidelizada; lembrava a comida da vovó.

Foi assim que ao longo das décadas tirou o sustento da família e adquiriu a casa própria. A Covid-19 interrompeu o convívio de um casal que tinha sintonia, cumplicidade, companheirismo e lealdade. Ela deu entrada no Hospital Elmiria Silvério Barbosa, no último de 15 de março com sintomas da doença, três dias depois foi entubada e da UTI, entrou para as estatísticas da pandemia do coronavírus.

"É muito triste e doloroso tudo isto. Minha tia era uma pessoa cheia de vida, alegre, feliz. Ela contagiava as pessoas a sua volta. Vivia contando piada, fazendo a gente sorrir. Com ela não existia tristeza, era puro alto astral. Até nos dias que não estava bem de saúde, ela dava um jeito de aliviar a tensão fazendo algum tipo de brincadeira", lamenta o ex-vereador, Waldemar Acosta, sobrinho.

O espetinho de Dona Apolônia ganhou o apelido carinho de churrascaria, "Boi no Tempo", uma brincadeira da clientela para expressar o fato de terem começado a atividade na praça Porfirio de Brito, quando o "churrasquinho" era assado num carrinho de lanche improvisado ao relento, em baixo de um pé de sete copas.

"São muitas lembranças dela. Serão dias difíceis pela frente. Meu pai está inconsolável com a morte da irmã, mas penso que está com Deus agora", diz Waldemar.

Covid-19 deixa rastro de dor, famílias enlutadas e interrompe convívio de 40 anos
Dona Apolônia ocupando a cadeira do então prefeito Marcelo Ascoli durante visita ao gabinete. Foto: Divulgação

Natural de Bela Vista, Dona Apolônia, era uma mulher notável por onde passava. Na gestão do ex-prefeito Marcelo Ascoli, sentou-se na cadeira do prefeito fazendo pose para um registro fotográfico num dos encontros da Terceira Idade, grupo que tinha sua fiel participação.

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