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Sidrolândia

Dono de área desocupada constrói ‘muro’ de entulho e isola trecho habitado da esplanada

Os moradores estão revoltados porque a faixa do terreno fechada é usada há muito tempo como via de acesso ao centro da cidade.

Flávio Paes/Região News

27 de Outubro de 2019 - 20:26

Dono de área desocupada constrói ‘muro’ de entulho e isola trecho habitado da esplanada

Numa operação relâmpago sábado à tarde, dois dias depois de ter sido cumprida a decisão da Justiça que determinou a reintegração de posse da sua propriedade, vizinha a antiga esplanada ferroviária, o produtor rural Waldivino Ignácio Sandim, ergueu um "muro" de aterro em frente da área.

O 'muro' impede o acesso a pelo menos 30 casas construídas (ou em construção), mais abaixo, nos 4 hectares da antiga esplanada, que ao longo dos últimos 10 anos vem sendo loteados pelo posseiro Jorge Palma.

Por enquanto uma das alternativas é atravessar de carro ou motocicleta as vielas do acampamento Jabotá onde moram 134 famílias e chegar ao centro pela rua lateral a antiga estação ferroviária. A outra opção é descer até a Rua Aviação, seguir até a Rua João Márcio Ferreira Terra, para então chegar na Avenida Dorvalino dos Santos. Pelo caminho antigo, chegava-se na Dorvalino dos Santos (pela Rua Alagoas) percorrendo 150 metros. Agora é preciso dar uma volta de quase um quilômetro.

Os moradores estão revoltados porque a faixa do terreno fechada é usada há muito tempo como via de acesso ao centro da cidade pela Rua Alagoas; por onde duas vezes (as segundas e sextas-feiras) passa o caminhão da coleta de lixo; ambulâncias em caso de necessidade e as viaturas da Polícia Militar em ronda pela região. Conforme relato dos moradores, aos finais de semana, muita gente aproveita a folga do trabalho, para construir suas casas. “Toda hora chega caminhão trazendo material de construção”, informa.

Toda a operação de fechamento da via de passagem foi filmada pelos moradores. Eles chamaram a Polícia Militar que não conseguiu chegar a tempo de obrigar o operador da retroescavadeira usada para amontoar o entulho, a retirar o material e liberar a pista. “Isto é um absurdo. É uma passagem fora da área do senhor Waldivino que não pode agir como se fosse dono da cidade”, reclama dona Michele Rodrigues, que há 5 anos comprou um terreno do posseiro Jorge Palmas e construiu a casa onde mora.

Michele, que liderou a ocupação da área do senhor Waldivino e de uma gleba vizinha, pertencente aos herdeiros do ex-prefeito Epaminondas Brum, vai tentar convencer o produtor rural a retirar a barreira de entulho, pretende recorrer novamente a Polícia e à Justiça.

Segundo o advogado Kleber George, que representa os posseiros da antiga esplanada, a atitude do produtor Waldivino foi irregular, porque o mandado de reintegração de posse concedida pela Justiça, não dá a ele o direito de fechar uma área de servidão, consolidada pela instalação de redes e água e de energia elétrica, destinada ao uso comunitário.